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afonsonunes

afonsonunes

14 Dez, 2012

Será verdade?

 

 

Bem podia começar por perguntar se ainda há mentirosos. Cheguei a convencer-me que já tínhamos ultrapassado essa fase da vida nacional em que os mentirosos eram muito poucos e estavam bem identificados e localizados. Até porque não faltaram zelosos e atentos defensores da verdade nacional que tudo fizeram para os denunciar.

Muitos fizeram-no pelo método tradicional da coscuvilhice que ainda é, segundo eles, a melhor maneira de espalhar a sua informação segura. Como se sabe, não faltam meios nem oportunidades para o fazer. Nas conversas de rua, de café ou de clube, ou ainda de caneta, esferográfica ou teclado, sempre com mão firme e ideias claras.

Admiro a coragem e a lucidez de quem escolhe a velha carta para fazer essas tão úteis e esclarecedoras missivas para denunciar o que não sabe mas, lá na sua, a coisa não tem outra explicação. Portanto, antes que a coisa fique nos segredos dos deuses, toca a desabafar de esferográfica em punho e depois meter dentro do sobrescrito.

Normalmente, cometem um pequeno erro antes de fechar e endereçar essa preciosa mensagem. Esquecem-se de a assinar. Mas, isso também não é óbice, pois as autoridades investigam na mesma. Estranhamente, por vezes, só conseguem descobrir os anónimos delatores. Do denunciado, nem rasto. Mas foi bom. Houve festa da rija.

Mas, será verdade que ainda há mentirosos? Temos sido confrontados com ditos e desmentidos que envolvem gente e entidades muito respeitáveis. Tudo gente que não pode mentir. Mas, alguém mente. Isso é inacreditável quando mexe com a dignidade de quem, dos dois lados, é vista como não podendo mentir sobre crianças.

Componentes da instituição religiosa, porque não podem cometer pecados de espécie alguma. Exceto aqueles que perdoam uns aos outros. Mas, no que toca a pecados com crianças, nem pensar. Tal como uma senhora que tem passado a vida preocupada com a defesa de crianças abusadas, também não pode pecar. Mas alguém pecou.

Será verdade que uma ministra e um ministro deste governo falam do mesmo ambiente? O ambiente que ela defende com ardor e ele ataca com toda a sua habitual sede de destruição, para criar o mundo que o vai destruir? Se a política do ambiente, como outra qualquer, de qualquer governo, só pode ser uma, um deles está a mentir.  

Através de uma notícia de um jornal, garante-se que o presidente vai promulgar a lei do orçamento, embora tenha dúvidas sobre algumas matérias ali contidas. De imediato, pensei, e bem, que isso não tem qualquer sentido. É sabido que o presidente nunca se engana e raramente tem dúvidas. Ora, aprendi eu, que a ordem dos fatores é arbitrária.

Não é verdade, com certeza, que ali se gastem cinquenta mil euros por dia. Sei que há lá muita gente. Nisso não há dúvidas. Mas alguém se deve ter enganado nos números. E isso fica mal, vindo dali. São mais de dois mil por hora. Se assim fosse, ninguém podia fazer mais nada, que não fosse gastar dinheiro. Não pode ser. Há muito mais que fazer.

Também ouvi dizer que o mais feliz dos banqueiros portugueses e angolanos, vaticinou que a queda deste governo era um disparate. Já não me lembro se disse grande ou não. Talvez isso queira dizer que havia o risco de alguém lhe perguntar depois, como conseguiu ele um negócio daqueles, com um banco que foi um turbilhão de negócios.

Apesar de tudo isto, ainda acredito que Portugal não seja um país de mentirosos. Especialmente agora. Talvez se trate de um pequeno descuido de alguns grandes faladores que, quando abrem a boca, estarão a pensar em coisas mais importantes. Depois, em lugar de entrar mosca, sai o que diz o velho ditado.