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afonsonunes

afonsonunes

15 Dez, 2012

Aí está ela

 

Antes do assalto, muito se falou em claustrofobia democrática, esse terrível fantasma que amedrontou o país e o levou a calar as boquinhas senão lá ia tudo para o chilindró. Felizmente, que o assalto foi concretizado com êxito e o fantasma desapareceu misteriosamente, tal como tinha aparecido.  

Surpreendentemente, nos dias de hoje o fantasma da claustrofobia democrática já deu sinais de ter adquirido a vida que antes não chegara a ganhar. Assim, essa coisa esquisita sente-se nos corredores do poder com a sensação de que foi ressuscitada pelos seus criadores, agora com vida e muito utilizada.

Talvez porque o poder tenha hoje os seus claustros onde não abunda a luz nem o calor humano. Cá fora, há quem sinta um certo frio na espinha dorsal, sempre que mete o pensamento por esses corredores húmidos e os relaciona com os calafrios que lhe causam certas decisões que infernizam a vida de tanta gente ao mesmo tempo.

Os grandes criadores desse fantasma que passou agora a ser coisa real em desenvolvimento, sentem-se hoje completamente seguros nos seus claustros, para eles agora bem arejados, espaçosos e bem frequentados. Fobias, todas as fobias, são coisas do passado. Há mesmo quem pense que o Portugal democrático está a ressuscitar.

No entanto, nem toda a gente pensa da mesma maneira. Enquanto uns pensam que é preciso não perder a esperança, outros dizem que o pior está para vir. Não consigo conciliar estas duas ideias contraditórias. Até porque, é difícil colocar esperança sobre a fome, aceitando que aquela torne a fome mais suportável.

Há quem pense que vivemos um evidente e preocupante retrocesso democrático. É evidente que temos obrigação de ter esperança que este perigoso processo à vista, tenha um rápido recuo por obra e graça de quem nos pode encher de esperança, através, não apenas de boas palavras, mas de boas obras que afastem os fantasmas.

Esperemos mesmo que o pior não esteja para vir. Que as condições básicas de vida estão a afetar muita gente, e continuarão a afetar, já poucos terão dúvidas. Para que a esperança não morra de vez, não ressuscitem e nos brindem agora com a maldita claustrofobia. Falem-nos de democracia que, essa sim, pode trazer alguma esperança.