Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

30 Dez, 2012

Saldos a correr bem

 

O país, nesta época de saldos, está à venda a retalho. Há quem diga que está a ser vendido ao desbarato. São aqueles que não têm cheta para o comprar. Os vendedores do país, pelo contrário, estão radiantes pelo sucesso dos saldos.

Para uns, são as joias da coroa que mudam de cabeças. Como o país já não tem cabeças reais, nem cabeças normais para usar coroas, estas não fazem falta à república. Há que despachá-las, pois dá muito trabalho mantê-las areadas.

Para outros, essas joias são umas coroas abençoadas que vão servir de garantia no balcão de penhores a que não podem deixar de recorrer para tapar os buracos que se abrem a cada dia que passa nas difíceis contas de sumir.

Mas, há ainda aqueles forretas que defendem que nada se vende, tudo se guarda. Tal como se guardam as barras de ouro, também as joias da coroa são dignas dos mesmos cofres e do orgulho de ter-mos ainda qualquer coisa nossa.

Entretanto, chegou a época em que já nada tem alternativas. E também chegou a época dos segundos ou terceiros saldos. Nada a fazer. É para vender, dizem os nossos acreditados e competentes leiloeiros. Eles é que sabem.

Depois de vendidas todas as joias da coroa, resta saber se ainda há país para se viver. Pois o país é um conjunto de joias, com coroa ou sem coroa, com barras de ouro ou sem elas. Com joias de pessoas que nada nem ninguém pagam.

Esta foi a forma de vender o país que não devia vender-se por preço nenhum. Este foi o tipo de austeridade escolhido para que se dissesse que não havia alternativas. A austeridade não tem alternativa, mas a forma de a fazer tinha.