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afonsonunes

afonsonunes

25 Nov, 2008

Oh Bama

 

 
Agora é ele sem dúvida o meu ídolo, capaz de me regenerar as energias diluídas num mar de incertezas e de receios quanto ao que me espera no futuro, principalmente, porque o meu banquinho, colocado junto à cadeira onde me sento a trabalhar, serve agora exclusivamente para colocar papelada que já não cabe em cima da secretária.
Eu creio, eu espero, eu acredito piamente, que mr. Oh Bama vai deitar fora toda a espécie de papéis inúteis que ocupam todos os banquinhos, libertando espaço precioso para se poder colocar neles, ao menos uns maços de notas que permitam tranquilizar-me a vista, já que não está ao meu alcance deitar-lhe a mão e manuseá-las à minha vontade.
Isto tudo por causa de muitos espertos que, em bom tempo, conseguiram alcançar montes e montes de maços de notas que estavam dentro dos banquinhos em que eles se sentavam a dormir a sesta, tranquilamente, à espera que os grandes totós aparecessem, com os bolsos cheios, na mira do milagre da multiplicação dos maços.
Mr. Oh Bama já explicou que está por dentro de todos esses esquemas, também há quem diga que são sistemas, pois ele há muito tempo que lê uma cartilha muito diferente da de mr. W. Brusho, até porque é muito melhor a experiência de vida da escola africana, quando comparada com a escola dos casinos americanos. É sabido que os banquinhos da escola africana são o chão vazio, enquanto os banquinhos dos casinos americanos, estão a abarrotar de maços de notas, prontos a comprar tudo o que não presta para coisa alguma.
Tenho muita pena de não poder votar em mr. Oh Bama, mas acontece que não estou lá. Mesmo que quisesse lá ir, tinha de ver se o meu banquinho está vazio, ou se já lá chegou o cheque providencial que veio do céu, e me daria acesso à viagem de ida e volta. Sim, porque eu não quero emigrar, por enquanto e, agora me lembro, ainda sou eleitor de cá, onde abundam simpatizantes e até devotos, de mr. Mé Cain, a quem desejo que se deixe estar por lá, que não faz cá falta nenhuma, ainda que viesse para ajudante do sr. Engenheiro.
 Ah, mas mr. Oh Bama seria muito bem-vindo pois, sem dúvida, levaria ao rubro, o ânimo de quem quer viver num país onde todos os banquinhos se transformassem em bancos grandes, como agora se provou que o são os americanos, e onde o tio Zé, mudasse a sua graça para tio Sam, nem que fosse apenas por uma noite de Brushos.  
Estou mesmo convencido que mr. Oh Bama não tardará a dar uma saltada à Ilha Terceira, para ver como as lajes deitam fumo nos campos ferventes daquelas longínquas paragens, como se houvesse por ali cavacos de lenha a arder. O novo presidente, aproveitaria a oportunidade para ver o melhor de César, a sua autonomia virtual, fruto das novas oportunidades continentais.
Com muito melhores razões que eu, tenho quase a certeza que Carlos, entre dois presidentes e entre dois continentes, mas longe de ser incontinente, também preferia mr. Oh Bama.