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afonsonunes

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06 Jan, 2013

Malucos a mais

 

Mesmo que não tivessem conseguido realizar qualquer outro milagre neste país, que era de gente sóbria e sensata, não se lhes podia negar o êxito e a coragem da sua transformação num gigantesco manicómio a céu aberto.

Obviamente que no manicómio há gente que, por ter juízo a mais, não devia lá estar. Mas a verdade é que os malucos não podiam estar em auto gestão. Daí que tenham de estar a ser tratados, bem tratados, pelos seus diretores.

O problema é que neste país, perdão, neste manicómio, há malucos a mais e diretores a menos. Aliás, às tantas, é difícil a quem vem de fora e entra ali distraído, reconhecer de imediato quem são os malucos e os diretores.

Mas, para o visitante, ao entrar, os diretores não são malucos. Depois, quem os ouve em conversas uns com os outros, percebe que, naquele manicómio, anda tudo ao contrário. Os malucos são os únicos que têm algum juízo.

Os visitantes, que só vêm de três em três meses, ao contactarem com os diretores, ficam como eles. Acabam por se esquecer que estão num manicómio e pensam num país em que anda tudo maluco. E já não querem ser tratados.

Os ajuizados diretores, que devem ser para aí uns onze, estão a tentar convencer os malucos através dos seus tutores que, ou tomam juízo já, ou vão ter de sair dali, ficando o manicómio exclusivamente para casa dos diretores.  

Assim, através de uma decisão maluca, o povo ajuizado voltaria a estar na rua, estregue às suas ideias e aos seus modos de ganhar a vida, enquanto os malucos dos diretores teriam a paz e o sossego no seu recolhimento.