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afonsonunes

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Toda a gente diz que não há soluções milagrosas, seja para o que for, e eu acrescento, excepção feita às análises de muitos políticos, que conseguem o milagre de prometer endireitar o país com argumentos totalmente opostos e soluções contraditórias, em relação às crises que se sucedem ao mesmo ritmo das trovoadas da primavera.
Eles sabem, sobretudo, fazer contas de matemática tão avançada que ainda está para vir quem descodifique a raiz quadrada do milagre dos seus cálculos renais, ou a volumetria do apêndice linguístico em situação de milagroso repouso, verdadeiramente ocasional. Bem podem dizer-me que isso é álgebra pura, que eu direi de imediato que, puro, puro, só aqueles havanos certificados na origem.
Ainda estou para saber se as trovoadas, com todo o seu ribombar, abrem as portas de par em par para que entrem as crises, ou se as crises geram trovoadas de partir mais ou menos tudo, incluindo as portas que estavam sempre fechadas. Neste segundo caso, estariam criadas condições para que o país fosse mais aberto e mais arejado, porque o bafio e o mofo tenderiam a sair das consciências.
Para que tal aconteça é forçoso que todos soprem para o mesmo lado, senão a tendência será para espalhar e não para expulsar, acabando por contaminar, em lugar de purificar.
Ora, por cá, nem sequer se admite a possibilidade de haver um milagroso rasgo de meia dúzia de consciências, que se voltem para o mesmo lado, e sejam capazes de fechar os olhos por instantes, e pensar em comum, que vão conseguir. Parece tão simples mas, na realidade, está bem evidente que é impossível.
Devem ser bem estranhos os interesses que levam uma dúzia de olhos a conjuntivites extremas a que, por sua vez, se juntam hemorragias cerebrais em cadeia, de que resultam incapacidades mentais, no sentido da tomada de decisões conjuntivas, em lugar de as substituir permanentemente por aberrantes discussões disjuntivas. Estranhos interesses, ou estranhíssimos caprichos, que emperram todo um país, que fazem sofrer tanta gente, que fazem com que morram tantas esperanças de felicidade.
Pensar e discutir, eis dois eixos base da natureza humana, sem os quais o homem e a mulher não passariam de seres amorfos e insensíveis, resignados aos princípios básicos da vida, que são o comer e o dormir. Mas, pensar e discutir, têm forçosamente que desembocar na encruzilhada, onde tem de haver uma decisão, para se poder continuar a caminhar, rumo ao destino onde se presume encontrar o bem-estar e a felicidade comum.  
Eles que pensem o que quiserem, mas são eles os responsáveis pelo muito atraso que nos distingue negativamente de outros países. Eles que pensem nos caprichos e nos interesses que os levam a estar sempre em conflitos mesquinhos, tantas vezes com argumentos que só não são para rir, porque são muito sérios os prejuízos que nos causam. Argumentos que, não raras vezes, até parece que os estúpidos somos nós.
Já nem vale a pena insistir, mas deviam ter um mínimo de entendimento entre eles, está bem de ver. Ainda por cima, não tem nada que saber.