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afonsonunes

afonsonunes

10 Jan, 2013

A razão do FMI

 

Apetece-me pedir calma no meio de toda esta agitação que se gerou à volta do relatório correspondente ao estudo dos cortes, encomendado pelo governo ao FMI. Compreende-se que, quem não sabe estudar, tem de pedir estudos.

Quando se trata de cortes complicados, caso dos golpes nos bolsos dos contribuintes, o governo não está em condições de escolher justamente em quais dos bolsos deve atacar primeiro e com mais profundidade. 

Mas, felizmente, o FMI já sabe isso há muito tempo e já tinha dado as suas ordens, atempadamente, aos seus capatazes cá do sítio. Portanto, estes, apenas pediram agora a confirmação de ordens anteriormente recebidas.

Com toda a calma e tranquilidade, vamos lá acertar agulhas. Certamente que o FMI pretende que se corte, onde ainda há por onde cortar. Isto é, tem de se começar por aqueles que possam, eventualmente, vir a perseguir os capatazes.

Os polícias e os juízes são, evidentemente, os primeiros a ser cortados pois, se uns prendem, os outros julgam os que possam vir a ser acusados de meterem as mãos nos bolsos das indefesas vítimas dos cortes.

Depois vêm os militares. São estes que decidem os resultados das revoltas, revoluções ou guerras, que nunca se sabe de onde podem surgir. Nestas situações, corta-se em quem tem armas, pois o murro é melhor que o tiro.

A seguir temos os cortes nos professores. Logicamente, se são professores, sabem muito mais que os capatazes. E, nessa medida, é muito difícil dar ordens a quem sabe mais que eles. Logo, cortando metade deles, ainda ficam muitos.

Também os médicos precisam de um corte valente. Porque, havendo muitos médicos, o zé-povinho vai aguentar muito mais operações. E, quando não houver dinheiro, nem povinho, serão os capatazes a ir ao bloco.

Aliás, há já indícios de que todos aqueles que forem cortados aos efetivos, em todas as áreas, serão substituídos por milhares de parceiros dos capatazes, que terão instruções específicas e bem claras, de como devem lidar com o pagode.  

Eventualmente, haverá quem pense que estou a ver o filme ao contrário. Pode parecer que os cortados, são aqueles de que o governo mais precisa. Agora, sim, mais tarde, não. É tudo gente muito forte contra fraquezas de capatazes.

Por estes exemplos, o FMI está cheio de razão. Se os capatazes só têm cortado nas vidas das desconhecidas vizinhanças, chegou a hora de começarem a cortar, a sério, nas suas próprias casas e entrarem a fundo nas suas obesidades.