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afonsonunes

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Há já alguns dias que ando a fazer um esforço enorme para adjetivar as diferenças que todos os dias verificamos no íntimo do mundo orangino, se é que o conjunto de pequenos baronatos se pode considerar um mundo.

Admitindo que todas as agregações, mesmo muito pequenas, podem considerar-se um pequeno mundo, é um espanto que no meio cítrico não consiga encontrar-se um verdadeiro ponto comum entre laranjas e limões.

De verdadeiro, apenas conseguimos ver a olho nu, o indiscutível interesse pela manutenção do poder, ainda que o sabor predominante seja mais aproximado à acidez do limão, do que propriamente à doçura da laranja.

Ora aí estão dois substantivos, a laranja e o limão, que transportam consigo, ou deviam transportar, dois adjetivos que determinam a sua qualidade. Doce e ácido, com a sua bem conhecida diferença substantiva.

Dizem alguns especialistas em culinária, e não só, que o sabor agridoce tem muitos apreciadores, mas é preciso não esquecer que o exagero de uma das partes sobre a outra, pode determinar o fiasco que leva o consumidor a cuspir.  

Isto leva-me a concluir que anda por ali muita incoerência injustificada, numa família que se orgulha de estar a fazer tudo bem mas, depois, os seus membros, individualmente, não escondem as suas diferenças substantivas.

Até podemos dar de barato que essas incoerências adjetivas são normais nestas crises em que é preciso puxar um pouco mais pela cabeça. Agora, o que não é normal, é a cabeça puxar só para atirar para o lado a gramática toda.

No entanto, parece-me bem que deixemos hoje todos os excessos para o que se vai passar lá para os lados da Luz. Mais logo, todos os sentidos se vão concentrar no homem que vai apitar com muita coerência e rigor substantivo.