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afonsonunes

afonsonunes

14 Jan, 2013

Garantia de coelho

 

Antes de mais, ainda posso afirmar que o coelho também vai à caça. Embora corra o risco de ser caçado. Desta vez deslocou-se para uma antiga coutada que era propriedade da sociedade por cotas de que faz parte.

Trata-se da sociedade laranja dos Açores. A coutada, entretanto, mudou de mãos e o coelho, à caça de votos, lá foi às longínquas ilhas, de espingarda em punho, na tentativa de reconquistar os picos do arquipélago.

E foi aí que teve uma daquelas saídas de lhe levantar as orelhas até ao nível do primeiro andar dos prédios vizinhos. Sim, porque ele é um coelho urbano. Já ninguém chegará ao poder, se não for através da verdade, disse. Bonita ideia.

Penso que o coelho não se meteria à caça sem um bom seguro. Portanto, não devia disparar de olhos fechados, pois o seguro não dá todas as coberturas. E não adianta disparar contra o seguro, só porque cai bem nos discursos.

Quando o seguro não cobre o risco, é o autor desse risco que tem de assumir o custo do prejuízo. No caso, o prejuízo dos tiros que se dão nos próprios pés. No caso do coelho, obviamente, em qualquer das quatro patinhas.

Por outro lado, nesta caçada um tanto infeliz, o coelho, que tem fama de ser o maior mentiroso das coutadas nacionais, não notou que estava a reconhecer que nunca mais vai caçar os votos suficientes para alimentar o poder.

Obviamente, que esta viagem às ilhas foi mais uma má decisão sua e dos seus derivados, sobretudo, porque não soube escolher o tema da digressão. Essa coisa da verdade foi chão que deu uvas e uvas não são o forte do arquipélago.  

O tempo vai esbatendo a ideia de que não é apenas o nariz a crescer, que faz as delícias dos bons apreciadores de verdades que já lá vão. Tanto assim é, que já pouco de fala de narizes. Agora, são as orelhas que ganham força na nação.