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afonsonunes

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Já houve um juiz que foi à Assembleia prender um deputado, dando à cerimónia o colorido de uma romaria, com transmissão televisiva em direto. Só foi pena que tivesse faltado a charanga a tocar uma marchinha a condizer.

Isso foi há muitos anos. Agora, não há um juiz com imaginação suficiente para prender presidentes de câmara condenados, mas que não querem ir para onde os juízes os mandam. Talvez porque uma câmara não é assembleia.  

Pode dizer-se que a assembleia é de todos e não é de ninguém, daí a calma que, por norma, reina à volta dela. Agora imagine-se o reboliço que se geraria na Câmara de Oeiras ou de Faro, se um juiz tentasse ir ali prender um herói.

Porque temos gente para tudo. Há quem condene criminosos que os juízes nunca viram e há quem queira absolver réus que os juízes condenaram. Mas também há juízes que mostram um prazer especial em prender alguns réus.

Vá lá saber-se porquê. Mas eles sabem e até há quem lhes adivinhe o pensamento. Depois de passarem por heróis de quem emprenha pelos ouvidos, também eles detetam o sentir de quem lhes conhece as preferências.

No entanto, agora, já não vale a pena contrariar a vontade dos autarcas, nem o desejo dos seus admiradores. Outubro está aí e as autárquicas também. Relvas, outro que ninguém tira dali, vai convidá-los a fazerem uma viagem até Lisboa.

Então, sim, como, entretanto, também ninguém tirou dali o governo, Passos vai meter nele mais dois ministérios para cobrir as necessidades de colocação dessas duas pessoas altamente qualificadas, de que o país não pode prescindir.

E eles também não. Porque uma coisa é a dificuldade de resistência de uma pessoa só, outra bem diferente é a resistência de um grupo que faz um bloco. Obviamente que ninguém consegue tirar um gomo da laranja sem tirar a casca.

Como já é quase consensual que a laranja tem gomos que não prestam, uns porque estão podres, outros porque estão bichados, parece que o remédio aconselhado é descascar a laranja e substituir os gomos que for necessário.

Portanto, resumindo e concluindo, a laranja deve continuar a ser a fruta do ano. Até porque, no menu agora disponível, não convém nem adiantaria, substituir laranjas por rosas, que só serviriam para enfeitar a mesa.