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afonsonunes

afonsonunes

18 Jan, 2013

Porque será?

 

Cada vez que Passos Coelho vai a qualquer lado, fora do país, é um sucesso garantido. Todo o mundo elogia o seu trabalho com os mais encomiásticos adjetivos. Chega mesmo a ser considerado extraordinário pela senhora FMI.

Agora o senhor Holande, presidente francês e socialista, mostrou-se agradado com o labor do seu visitante, depois de ter recebido o socialista Seguro e ter concordado, ao que dizem, com as suas visões e críticas neste transe.

Há aqui qualquer coisa que não joga, ou eu ando a sonhar com anjinhos do céu. Passos tão bom lá fora, cá dentro não tem mais que uns amigos e admiradores que não conseguem abafar as vozes dos que não vão com ele à bola.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         

A começar pelas muitas e gradas vozes do seu próprio partido. Seguindo, pelas vozes de muitas e gradas figuras de grande relevo no país, caso de vários ex-ministros de vários quadrantes políticos e de ex-presidentes da República.

Tal como os próprios discursos, recados e opiniões expressos pelo atual presidente. Não quero acreditar que, por muito ausente que por vezes o consideremos, esteja tão fora do consenso dos seus pares de partido.

A própria comunicação social, através de muitos dos seus jornalistas, comentadores e analistas, não se mostram tão agradados com o que vão vendo e ouvindo à sua volta, bem como a visão que têm do futuro.

O mundo laboral com sindicatos e patrões, como raramente se tinha visto no país, criticando as mesmas decisões, ou falta delas. O descontentamento popular nunca atingiu tão elevado grau nas opiniões que se ouvem na rua.

Há qualquer coisa de errado neste país em que quase toda a gente aceita de bom grado a austeridade, mas não imposta desta maneira. Em que o governo nos promete o céu e não vemos mais que nuvens negras no horizonte. 

Com tantos elogios, também não se percebe que a maioria dos elogiadores estrangeiros envie tantos conselhos, recados, dúvidas e cautelas, além de estudos para que se faça mais, sempre mais, e sempre de forma extraordinária.

Foi ótimo esquecer aquela recomendação estúpida dos nossos financiadores de que devia observar-se a regra dos dois terços do lado das gorduras e um terço pelo lado dos impostos. É extraordinário como tudo está a correr tão bem.

Gostava de lembrar a quem gosta de estar permanentemente com o passado na ponta da língua que, gastar muito, todos gastaram, mas roubar a sério, teve uma época alta por uns tantos já bem identificados. Agora, o método é outro.