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afonsonunes

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Depois de andar por grandes feiras e mercados nas grandes capitais de meio mundo, não vai ser fácil regressar aos mercados de cá, como os dos arredores de Lisboa e Porto, ou às grandes feiras como as de Beja ou Santarém.

Esta vida de andar a ver o que se compra e o que se vende, dia após dia, semana após semana e por aí adiante, deve ser um frete de todo o tamanho. Lá fora não sei bem como é, pois não costumo meter-me nesses chiquismos.

Até porque, ao que me parece, os mercados funcionam em palácios onde os feirantes são governantes, o que lhes dá um ar de aristocracia e obriga a usar fatiotas que não há nos nossos mercados ao ar livre dos sábados e domingos.

Quando oiço falar no regresso aos mercados, fico um pouco confuso, pois acabo por não saber quem é que regressa e quem é que sai. Sim, porque quem ia aos mercados e às feiras de cá, passou a ir apenas aos mercados lá fora.

Os feirantes nacionais sentiram uma falta muito dolorosa, pois o calor humano, quantas vezes, conta muito mais que a venda de um par de sapatos, uma T-shirt ou uns raminhos de salsa ou coentros. E aqueles abraços eram fogo.

Agora está instalada a confusão. Ninguém sabe dizer se acabam de vez as visitas aos mercados do exterior, o que permitiria o imediato regresso aos mercados nacionais, e às feiras também, e mudam as políticas mercantis.

Aliás, tudo isto é política pura e dura. A propaganda que era feita nas feiras e nos mercados cá do sítio, passou a ser feita em Tóquio, em Pequim, em Luanda, em Caracas. Ah, sim, nesta, principalmente. E às vezes em Brasília.

Segundo as últimas previsões de origem incerta, tudo isto estaria para acabar, uma vez que há indícios de que as saudades, o sol, o ar livre e a boa gastronomia, estão a determinar o regresso aos melhores mercados do mundo.

Há lá coisa que se compare a uma manhã no Bolhão, ou na Feira da Ladra? Aquela gente boa deixa-se abraçar e beijar pelo prazer de um largo sorriso e de palavras que dão força e alento para aguentar tudo, mas mesmo tudo.    

Quem é capaz de trocar a volta ao mundo, nos melhores hotéis, onde se compra e se vende tudo, sem andar a pé, só pode ter a admiração de todos os feirantes nacionais, que não deixarão de mostrar o seu reconhecimento.

A quem, eventualmente, esteja a pensar que esse reconhecimento se vai fazer através do voto, que tire daí o sentido. Já está provado que o voto não resolveu nada das últimas vezes. Agora, serão os mercados a dizer como é.