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afonsonunes

afonsonunes

27 Nov, 2008

Tudo suspenso, já!

Já que as suspensões estão a tomar conta do nosso dia-a-dia, há que tomar medidas imediatas para que esta obsessão não provoque danos irreparáveis na nossa robusta democracia. Para que não fiquem dúvidas, a robustez não significa imunidade a danos, quer eles sejam leves ou irreparáveis. Daí que mais vale prevenir que remediar.

Em matéria de suspensões, há que começar pelo princípio, e com toda a firmeza, daí que me invisto dos poderes necessários e suficientes, para determinar e mandar publicar o seguinte, que não é mais que a vontade explícita mas, sobretudo, implícita, da totalidade do povo português. É evidente que há as excepções, mas essas não contam para nada.
A partir de agora, isto é, desde já, o governo fica suspenso de todas as suas funções, pois é necessário começar pelo princípio de todos os males e de todas as polémicas. A justificação para tal medida assenta, principalmente, no facto de o governo não poder suspender nada, sob pena de ter de suspender tudo o que já fez. Esta teoria é relativa, na medida em que há quem diga que ele ainda não fez nada, logo não teria de suspender nada. São maneiras de ver, como é óbvio.
Fica também suspenso, desde já, todo o pessoal que trabalha, pois não é admissível que se oriente por um código feito por um governo suspenso. Esta suspensão não pode ser contestada por todos aqueles que vão argumentar com o slogan em voga nalguns ‘mentideros’, que já ninguém faz nada, por causa das ‘manifestanças’ e do estado de debilidade causado pela fome generalizada no país.
A suspensão abrange ainda todos os reformados, pensionistas, subsidiados e similares, porque a conta bancária do governo, fonte dessa massinha, ficou desde logo suspensa, a partir da suspensão do seu titular. Isso não trará problemas, visto que já estavam consideradas de miséria logo, a miséria apenas continua.
Não se pense que a suspensão do governo vai dar lugar à sua substituição, por alguém que não tenha sido abrangido pelas já citadas suspensões. Além da clareza que já ficou expressa atrás, complementa-se a informação com a seguinte adenda:
Quem fizer parte de partidos políticos, sindicatos, associações, agremiações, corporações e outras organizações, depreende-se que são trabalhadores logo, já estão abrangidos pela suspensão. Aqueles que considerem que não são trabalhadores, então fazem parte dos que não fazem nada, e também já estão abrangidos atrás.
Resumindo e concluindo: quando digo, que fica tudo suspenso já, é mesmo tudo. Tudo o que alguns queriam ver suspenso, todos os que queriam as suspensões, bem como os que as não queriam, e ainda os que não sabem o que queriam.
Já estou a ouvir algumas vozes, que talvez convoquem uma grande ‘manifestança’, para protestar contra a suspensão total do país. Outros estarão a aplaudir. É sempre assim. Eu diria que mais vale suspender o país, que vê-lo a andar para trás. Daí a minha decisão.     
PS (post scriptum): O autor destas suspensões (eu), admite apenas duas excepções, por haver assuntos que não podem ficar suspensos: a Ministra da Educação e o Ministro das Obras Públicas, obviamente.