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afonsonunes

afonsonunes

25 Jan, 2013

Apelos dramáticos

 

O ministro Aguiar branco está muito preocupado com a falta de estabilidade na liderança do Partido Socialista. Porque na realidade se pode admitir que ela existe, não será por aí que há motivo para criticar o ministro.

No entanto, a preocupação dele revela outros motivos estranhos. Desde logo, a afirmação de que o país precisa de liderança estável no Partido Socialista. Sim, também é verdade, mas é contrário ao comportamento do governo e do PSD.

E contrário aos permanentes ataques venenosos, muitas vezes disfarçados em insinuações que só servem de desafios ao clima de crispação de que nada beneficia o país e que acabam por afastar cada vez mais os dois adversários.

Depois, conviria que o ministro Aguiar Branco se não esquecesse que o país também precisava de um governo estável, o que desde há muito se verifica que não acontece. E essa, indiretamente, é a origem da instabilidade no PS.

É natural que, quando o poder se mostra instável, é o próprio país que está instável, toda a oposição, todos os partidos. E não é difícil ver como os próprios partidos que apoiam o governo, vivem numa instabilidade constante.

Bastaria olhar para o clima que se vive na televisão pública, há já bastante tempo. E que, tudo indica, vai continuar. Não é possível pacificar uma instituição daquela natureza e daquela dimensão, com conversa tão venenosa.

Com o ministro Relvas a insistir na privatização, apesar da repulsa que tal solução já provocou nos mais diversos meios. Com o responsável da televisão a fazer um convite aos trabalhadores para que colaborem na reestruturação.

Sem dúvida, este é o mais insultuoso, e venenoso também, convite que se pode fazer a quem está com a corda na garganta. Até parece um convite muito gentil, muito respeitoso e respeitador de uma legalidade inatacável.

É preciso não esquecer que nesses convidados incluem-se seiscentos e tal trabalhadores que vão para casa. Certamente que não espera que, ao menos esses, lhe prestem a colaboração que espera deles.

Seria inédito, penso eu, alguém colaborar de boa vontade no seu próprio despedimento. Ainda que seja de todo indispensável. Há decisões que têm de ser tomadas e tomam-se, mas sem demagogias e sem ofender dignidades.

A televisão pública precisa que esta decisão aceitável agora tomada, a sua reestruturação, seja definitiva, feita
com rigor e seriedade para um serviço público isento. Para isso há agora que regrar muito comilão que anda por lá. 

Apelos dramáticos não faltam por aí, vindos de todos os lados e de muita gente, nem toda cheia de boas intenções. Mas, torna-se indispensável que o governo tenha aprendido com os erros já cometidos. Se ainda puder.