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afonsonunes

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À primeira vista até parece que ele não tem nada a ver com ela, ou vice-versa, mas a verdade é que têm, e muito, a ver um com o outro. Bastaria referir que ele tem um poder muito superior ao dela sobre o primeiro-ministro de cá.

Apesar de muita gente estar convencida de que quem manda no nosso PM é a chanceler, convém esclarecer que, embora isso seja verdade, tal só acontece porque ela, antes de dar as ordens a Passos, recebe-as de Relvas.

É fácil explicar este circuito burocrático. Logo que o governo tomou posse, Passos recebeu um recado muito importante de Relvas. Para que não houvesse deturpações da sua vontade e autoridade, o seu gabinete seria um crivo.

Logo, tudo quanto entra e sai no gabinete do PM, passa sempre pelo gabinete de Relvas. Até os telefones são aqui centralizados, havendo depois extensões para o gabinete de Passos. Portanto, a chanceler também passa por ali.

Estranho? Não. Estranho seria se tivéssemos um PM que conseguisse dar ordens a toda a gente. Relvas, encarrega-se de suprir essa estranheza. É como dizerem que quem manda no país é Gaspar. Pois é, mas só depois de Relvas.     

A chanceler quis modificar esta cadeia de comando através de um resgate especial de emergência na área da comunicação. Claro que levou logo sopa de Relvas. Argumentou: se ela queria mandar, pagava primeiro os calotes do país.

Ela ainda replicou que não foi ela que os fez. Mas Relvas, arguto, calou-a logo, lembrando-lhe que foram feitos no tempo em que era ela que mandava. E, altivo, acrescentou: agora, quem manda aqui sou eu e os calotes não são meus.

A chanceler meteu o…entre… pois, isso não se diz de uma senhora, mas deixou Relvas em paz, e de vez. É claro que não adianta andar por aí a clamar que Passos devia fazer isto e aquilo, senão é ele que ainda acaba remodelado.

Para evitar que venha a concretizar-se essa eventualidade sugeria que, tão rapidamente quanto possível, trocassem de gabinetes e de funções. Não sei porquê, mas tenho a sensação de que, assim, o país ficava mais estável.

Sinceramente, esta é uma versão minha de como as coisas se passam, ou não passam. Por sinal, bem diferente do que corre por aí. Como vai sendo frequente, já não sei se fui eu que sonhei com estas coisas estranhas.