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afonsonunes

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O facto de podermos andar de pé, interpretando o que disse o nosso primeiro-ministro, significa que temos, ou vamos ter, uma certa autonomia. Ele lá sabe do que fala, mas há muita gente que não vê mais que dependência.

Efetivamente, perante a perspetiva de ter-mos de rastejar, ou arrastar-nos penosamente, podemos considerar-nos felizes e contentes por viver de pé e, melhor ainda, podermos dar uns passinhos à frente ou atrás.

Contudo, analisando factos que se sucedem a um ritmo crescente de estranhas dependências, temos de acreditar que viver de pé, é apenas mais uma ilusão entre as muitas sofridas e que já entraram na nossa rotina diária.

De há muito tempo que uma parte crescente do país já percebeu que o governo ainda está de pé. E, provavelmente, vai continuar de pé, mas tal não quer dizer que, com isso, esteja mais cómodo e mais independente.

É voz corrente que o governo ainda anda pelo seu pé, mas é visível que tem de ser guiado pela mão, melhor, por várias mãos, que lhe impõem o caminho. Várias mãos, de várias pessoas, com visões muito diferentes do país.

Desde logo, todas aquelas mãos de todos os elementos da troika, os quais nos têm revelado que, com alguma frequência, têm metido os pés pelas mãos. E nós, a ver tudo a fugir à frente dos olhos sem podermos mexer as mãos.

Ora, torna-se muito difícil manter um rumo próprio, quando alguém nos pega pela mão e nos leva para onde quer. Mesmo que vamos pelo nosso pé, pois o que conta para o percurso a trilhar, são os pés e as mãos dos outros.   

Mas, se bem repararmos nos passos de Passos, há outros passos que ele tem de seguir obedientemente. É o caso dos seus orientadores internos. Que, não sendo difícil de ver, são muitos e com uma força que nem sempre foi previsível.

Ressalta claramente de entre eles, a visão de um Relvas não remodelável, que tem condicionado quase toda a mobilidade do PM, que não terá mão nele, nem para lhe negar o pé. Tão pouco para lhe dar a ponta do pé.

Também se nota a mão de um Álvaro que inventou uma nova versão de baixa política. Que ele entende que é o que faz quem o critica. Mas, a sua especialização vem de saberes profundos sobre política rasteira e subterrânea.   

Agora, o PM deixou bem claro que também aceita a mão de quem deixou, ou contribuiu para deixar meter a mão, nos milhares de milhões que o Zé pagou. Aliás, para Passos, só não há dinheiro para este Zé a quem tudo tira.

Nem vale a pena pôr mais na carta. O Zé paga tudo. O que é justo que pague, e o que deriva de ter de corrigir os erros de quem pega na mão do PM. Porque os passos de quem é conduzido, podem manter-nos de pé, mas de mãos atadas.