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afonsonunes

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O país está protegido por um enorme chapéu que nos cobre e nos põe a coberto de todas as intempéries que venham de cima. Já o mesmo não acontece em relação às que vêm de baixo, mas não se pode ter tudo.

Trata-se de um chapéu de aba descomunalmente grande em comparação com qualquer pessoa e até com o próprio país. E é o que nos vale, pois as intempéries vão-se sucedendo a um ritmo, também ele, igualmente enorme.

Como se não fosse suficiente um chapéu desse tamanho para todas as intempéries, eis que ainda aparecem alguns vendedores mais precavidos, a oferecerem sombrinhas individuais, talvez pretendendo tapar o sol com elas.

A primeira intempérie vem do Largo do Rato, onde parece que ainda se discute tudo e mais alguma coisa. Logicamente, coisa inaceitável, num país onde já não se discute nada. Até porque no Rato também se discutia pouco até há dias.

Portanto, a discussão do Rato, passou para o país inteiro. Coisa que protege o país de ter de discutir o indiscutível estado do país, que já não tem a ver com o PS, nem com ninguém da oposição, mas que dão jeito para fazer sombra.   

A segunda intempérie tem a ver com o imbróglio da SLN, do seu banco, do secretário de estado e do governo, todos sob o chapéu enorme do PSD. Muito se tem falado de tudo isto, mas do chapéu não há boca que se abra.

Aliás, nestas matérias, parece que o país inteiro só tem obrigação de pagar e falar de quem não roubou, mas está absolutamente proibido de pronunciar aqueles nomes que toda a gente sabe. Mas o chapéu enorme tapa tudo.

A presidência e o governo têm mostrado ao país como se dominam intempéries, mesmo as da pior espécie. A estes junta-se o banco central que tem sido um modelo de como se acertam todas as previsões.

Por mim, não tenho dúvidas de que ali não anda nenhuma influência do PSD, partido que está a fazer tudo direitinho, ou seja, como deve ser. O PSD não tem nada a ver com aquelas personalidades, nem elas com esse partido.

Porque o PSD é o grande partido nacional que não erra, que só cumpre as leis que aceita como justas e que diz ao país o que se deve fazer e o que se deve recusar. É por isso que ninguém tem motivos para o criticar.

O PSD é semelhante a uma nuvem em forma de chapéu de aba larga. E há muita gente que se desunha por meter-se debaixo da sua sombra protetora. E até há quem, fora dele, faça o sacrifício de estar calado para não incomodar.