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afonsonunes

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Estamos nas últimas horas do último dia do prazo para as transferências dos astros carnavalescos. Mas é sempre nos últimos minutos que se confirmam as grandes novidades do mundo dos foliões. Assim vai acontecer hoje.

Como tenho informações privilegiadas, vou adiantar agora mesmo, as maiores surpresas da meia-noite. E, sinceramente, a minha única dúvida é decidir por onde começar. Aviso: os mais sensíveis devem tomar já o comprimido.

O assunto do dia é o papa. Não, não é o papá que vai para o corso, nem a papa que está a faltar em muitas mesas, ou a papa que muitos estragam sem olhar a quem tanto precisava dela. É do papa do sul de Itália que se fala hoje.

Como toda a gente sabe, nós, os portugueses, também temos as nossas devoções. E, por sinal, bastante contagiantes. No entanto, o nosso sentido de repúdio por imitações, levou-nos a criar o papa do norte de Portugal.   

E é esta a primeira grande novidade. O papa italiano vem para o Porto, enquanto o papa português segue para Roma. As transferências a custo zero, têm origem na saúde de ambos, com a mudança de clima a justificá-las.

Mas as maiores movimentações verificam-se nas mudanças de reis do carnaval. Tudo à borla, pois a vida não está para sustentar loucuras. Cavaco, era muito caro, deixa o corso algarvio, para integrar o da Santa Maria, mais a norte.

Por sua vez, Relvas assinou contrato vitalício com todos os corsos nacionais. Parece que a assinatura está ilegível mas, mesmo assim, reconhecida por notário. Portas está a preparar as minutas de contratos para o estrangeiro.

Santos Pereira e Paula da Cruz já têm vistos para viajarem para Toronto. Santos da casa não fizeram milagres e da Cruz ninguém nos livrou, pois muita gente continua a ser crucificada na justiça prometida mas cada vez mais ausente.

No próximo carnaval, a grande novidade vai ser a carroça que simbolizará a transferência do burrinho e da vaquinha do presépio de Belém, para o de S. Bento. Os blocos de esferovite já estão reservados, mas ainda não têm destino.     

Sabe-se que há uma grande azáfama entre os artistas que vão esculpir esses blocos. Para tal já começaram as atentas observações em todo o governo, em toda a oposição e na presidência, para escolher as caras mais lavadas.

Dizem esses experientes artistas, que há uma dificuldade muito grande em fazer coincidir a brancura da esferovite com as caras que encontram. Afirmam mesmo que têm muita pena de ter de sujar a esferovite para as retratar.