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afonsonunes

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Todos os dias somos surpreendidos com notícias que nos dão conta do fecho de empresas que produziam bens e serviços que estão a levar o país para aquele ponto em que, mais dia, menos dia, será o próprio país a fechar.

Quanto a fábricas abertas e em laboração, parece já muito próximo do único consenso possível neste retalhado país, que apenas a imparável fábrica de desempregados nos dá a certeza de que cada vez produzirá mais.

Diz o governo que tem sido assim e que assim será ainda por mais algum tempo, regozijando-se com o facto de tudo estar dentro das suas previsões. Está, assim, mais preocupado em criar desculpas que arranjar soluções.

Desculpas e soluções que balançam na linguagem dos governantes, usando argúcias e espertezas que já nem conseguem dar-lhes, a eles próprios, alguma esperança de que possam confiar nas suas próprias palavras.

Com as fábricas a cortar a ilusão das exportações e a fazer crescer o sentimento de que vão engrossando as fileiras dos que recorrem cada vez mais à repetição da voz de Zeca Afonso, a canção aparece como o único trabalho disponível.

E, se a fábrica de desemprego não para, em contrapartida, a exportação da Grândola Vila Morena, vai a caminho de novos mundos. Voltou a acordar o país, lançou o alerta no parlamento e ecoou pelas ruas de Madrid.

Tudo por mérito de um governo que tanto se tem vangloriado de levar o nome de Portugal mais além. De o ter prestigiado e credibilizado. Realmente, Zeca Afonso e a sua Grândola Vila Morena, merecem entrar no que está a acontecer.