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afonsonunes

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Os membros do atual governo têm andado muito ocupados a participar em discussões sobre o futuro do país, do tipo de ficarmos a saber o que nos vai acontecer daqui a muitos anos. É uma ideia como outra qualquer.

São os casos da discussão do país pós troika e do jornalismo daqui a vinte anos. Esperemos que a primeira se vá depressa e não volte mais, com ou sem os prognósticos dos que, como sabemos, não têm acertado uma.

Quanto ao jornalismo, se quem o comanda agora, ou quer comandar, tivesse a mínima autoridade para falar do assunto, a gente ainda fingia que não ouvia. Assim, que o futuro nos traga melhor jornalismo e melhores donos de jornais.

Na verdade, alguns ministros e o próprio chefe do governo, têm ouvido alguns interessados em mostrar-lhes como se fala do passado, dando-lhes música através de coros nem sempre bem orquestrados, mas muito vibrantes.

Cantar ‘Grândola Vila Morena’ nesta conjuntura política e social não é propriamente ter boas perspetivas de futuro. Miguel Relvas misturou gargalhadas com palavras da letra da canção. Uma falta de dignidade.

Sobretudo, quando se ouve num tom que mais parece jocoso, a palavra fraternidade, depois seguida de outra que soa a falsidade: igualdade. Estas palavras, na boca deste governante, são uma ofensa a quem as ouve e as canta.

Este governo faria bem melhor em falar do que tem feito de mal ao país e falar do que ainda podia fazer para reparar esse mal. Mas quer falar do futuro, do futuro que já hipotecou e insiste em ver se torna a hipoteca irresgatável.

Este governo tem mentido demais desde a sua génese, para podermos acreditar que ele pode dizer-nos alguma coisa de útil para o futuro. Nem para os próximos dias, quanto mais para os próximos meses ou o próximo ano.

Então, como quer este governo que temos agora, dizer-nos o que podemos esperar sobre o que vai acontecer daqui a vinte anos. Sobretudo, quando crescem as vozes que reclamam, cantando ou falando, que se vá embora.

Mas, a verdade é que, para além de coautoria no que o passado teve de mau, ainda quer, e tem conseguido, destruir o que o passado teve de bom. Pelo contrário, tudo tem feito, para que nos envergonhemos deste presente.

Daí que tudo aconselhe a que deixe o futuro a cargo de quem vier a seguir, desejando que esses saibam orientá-lo melhor do que estes, que só têm mostrado a sua tendência para eternizar os erros que têm cometido.

 

 

    

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