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afonsonunes

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30 Nov, 2008

Bagunças e pactos

Tudo ao monte e fé na bagunça. É uma outra versão, de um outro dito muito popular, normalmente atribuído a tácticas futebolísticas mais ou menos endiabradas. A entrada da bagunça nesta versão, tem a ver com a proximidade das paixões religiosas com as paixões do futebol, a que se juntam as paixões politicas, em que a fé se desvia do  percurso divino.

A bagunça também tem os seus apoiantes, fervorosos uns, delirantes outros, como se ela fosse a última esperança de mudar o mundo ou a vida de quem não gosta daquela que tem, muitas vezes porque não merece outra. Quem não sabe ou não quer viver em ordem e em paz tem, forçosamente, que tentar a bagunça, a desordem e, se possível, a guerra dos seus desejos, que é a guerra dos seus interesses.
As paixões religiosas, todos o sabemos, causaram e causam ainda, grandes desequilíbrios sociais e guerras sangrentas um pouco por todo o mundo, talvez porque a política ande demais no espírito de quem dirige a religiosidade. Tal como a religião anda demais no espírito de quem faz política por profissão. Continuemos a incluir o futebol para se concluir o trio de todas as paixões. Todas as misturas são possíveis, o que não quer dizer que todas elas sejam compatíveis, e sabemos bem como o não têm sido, pelos resultados que temos perante os olhos bem abertos de espanto.
Surgiu agora uma vaga de bagunça, aliás previsível há algum tempo, que percorre e agita, principalmente, a comunicação social, que congrega tudo e todos que concorram para a puxar para a ribalta, como se ela, a bagunça, fosse uma necessidade vital para a resolução dos problemas graves que afectam as pessoas e o país. Como se esses problemas fossem exclusivos da actualidade. Como se o país e as pessoas pudessem continuar a viver como viveram até há poucos anos, por razões mais que conhecidas.
Ser sério e ser honesto, implica que quem o queira ser, não se iluda com o céu que não existe na terra. Porque a bagunça, não só não traz o céu para ninguém, como não pode constituir um meio para satisfazer ambições de quem vê nela, na bagunça, um trampolim para se chegar mais acima, o mais depressa possível.
Depois, há os dos pactos para tudo. São os guerreiros que querem passar por pacifistas. Aí, sugerem um pacto, que é outra maneira de dizer a quem compete tomar decisões, esperem aí, e façam o que nós queremos. É aqui que entram os mais estranhos interesses externos, sempre com pezinhos de lã, porque não têm a coragem de dizer claramente porque são contra, mas que nunca são capazes de concordar, mesmo quando estão em causa benefícios para aqueles que tanto defendem palavrosamente.
Como é evidente, já tínhamos a conjuntura da crise, à qual se junta agora a conjuntura da bagunça, com a agravante de que se trata de uma bagunça juvenil, assim uma espécie de bagunça com calças de ganga com a braguilha pelos joelhos e a cintura abaixo das ancas. Modas são modas mas, pior que isso, são os pais ‘bagunceiros’ de muitos desses jovens imberbes, a quem bastam duas palavras de incentivo à indisciplina, para se arvorarem em heróis da bagunça.
Todos aqueles que não têm a coragem de dizer que não é assim que se regenera o país, não peçam pactos. Peçam só, e apenas, aquilo que pediriam se estivessem no lugar daqueles que contestam. Assim, já fariam muito para acabar com todas as bagunças.