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afonsonunes

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22 Fev, 2013

Política a brincar

 

Fazer política a brincar ou a sério, é a diferença que vai entre dizer num dia, vagamente, que há políticos que arranjaram milhões para pôr lá fora, e no dia seguinte calar-se perante a evidência de roubos concretos de milhões.

Em política tudo é possível mas, a sério, não acredito em tudo, embora a brincar, possa dizer que acredito. É a vantagem de tratar a política a brincar. Quem julga que a trata muito a sério, é capaz de estar a brincar com a gente.

Pelo menos sujeita-se a ter de reconhecer que nem sempre é levado a sério por quem o lê ou o escuta. Embora isso seja o menos que lhe pode acontecer. O mais, é quando tem de sujeitar-se a ficar calado durante uns tempos.

É bem conhecida aquela situação de travessia do deserto em que muitos dos políticos conhecidos já caíram. Alguns regeneraram-se, outros tiveram dolorosas recaídas e por aí andam a penar, no meio deste deserto sem graça.

Como dizem que no meio é que está a virtude, os que tratam a política a sério, vão arranjando maneira de moderar as suas visões, que é como quem diz, suavizar as suas retóricas, para mais ou para menos, consoante a conjuntura.

Há ainda os que a levam muito mais a sério. Por mais que seja evidente a derrocada das suas teorias, ou opiniões, eles mantêm a rigidez da sua seriedade, tentando protegê-la deixando os alhos para falar de bugalhos.

Por exemplo, quando um amante da política a brincar fala em derrapagens crescentes e vigarices em série, logo vêm os políticos a sério, a martelar em montanhas de onde apenas conseguem tirar ratos que pouco roeram.       

Neste pico de vigarice que o país atravessa, já não é possível falar de política a sério, nem de políticas sérias. Simplesmente, porque é muito difícil encontrar gente séria que seja capaz de sobrepor a sua seriedade à vigarice reinante.

É por isso que a melhor atitude política, é aquela que não exige cambalhotas ou golpes de rins, é aquela que se assumiu ontem, ainda se assume hoje e se assumirá amanhã, sem que alguém tenha de se rir dessa assunção. 

Depois de toda esta algaraviada de seriedades e de brincadeiras, estou certo de que ninguém vai acreditar que tentei falar de política. Nem de política a sério, nem de política a brincar. Até porque não gosto de brincar com coisas sérias.