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afonsonunes

afonsonunes

25 Fev, 2013

Vende-se

 

Já não basta colocar o tradicional anúncio no jornal, ou a tabuleta no local, para chamar os possíveis compradores daquilo que se pretende vender. Os tempos são outros e a necessidade de despachar os bens, é imensa e imperiosa.

O país, como facilmente se depreende da azáfama governativa, está todo à venda. Como os compradores não abundam, é preciso ir à procura deles onde se pensa que eles estão. E eles não estão aqui ao voltar da esquina.

Mesmo correndo o risco de se gastar mais que o valor dos bens a vender, nessa desenfreada operação de venda porta a porta, os nossos governantes não podem esperar mais. É urgente correr atrás dos prováveis interessados.

Como isto cá dentro está tudo fechado à espera de recapitalização, há que sair porta fora, ao mais alto nível senão, lá fora, ninguém acredita que ainda haja cá, vendedores credíveis a quem se possa comprar alguma coisa.

Resolveu então o governo, e muito bem, nomear ministros com poderes plenipotenciários para se deslocarem ao estrangeiro em missões de vendas a retalho, convictos de que, mesmo assim, ainda sobrará alguma coisa de lucro.

E é assim que o ministro Álvaro vai até Londres em busca de compradores de andares que foram retirados aos seus proprietários, alguns dos quais estavam quase pagos. Nada mais rentável que entregá-los a pataco.

Aliás, este ministro que julga ser da economia, deve sentir-se muito honrado com a nova missão de promotor imobiliário. E está muito feliz por ter agora algo de útil para fazer no estrangeiro pois, por cá, era uma frustração enorme.

E é assim que o ministro Crato vai ver como está o ensino chinês. Imagino que vá fazer um esforcinho para vender os Magalhães que sobraram da gerência anterior. Era material inútil, para deitar fora, logo, são boas pechinchas.

Depois, essa viagem é uma espécie de escapadela, ou de fuga, às constantes arremetidas dos professores e até dos alunos que não o deixam estudar nada, com o barulho ensurdecedor dos seus cânticos e das suas músicas.

Após volta e meia ao mundo dos grandes negócios, os ditos mega negócios, o ministro Portas prepara-se para voltar à Venezuela, onde já foi muito feliz, à semelhança de um ex-governante, agora vendedor, de volta àquelas paragens.  

A Venezuela tem um estranho encanto para governantes portugueses. Talvez seja pela extrema simpatia de Hugo Chávez, pois seria demasiado injusto dizer que é por causa do petróleo. Até porque o petróleo não se bebe.

No meio desta azáfama vendedora, pode apenas questionar-se se estes vendedores têm cursos de marketing apropriados à situação. Se estiverem em dificuldades, contactem o vendedor de remédios. Disso sabe ele até demais.