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afonsonunes

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26 Fev, 2013

O estado do estado

 

Se eu dissesse que o nosso estado está uma maravilha, é natural que alguém encolhesse os ombros e me virasse as costas em sinal de que não estava para matar a cabeça a pensar no que eu queria dizer com isso.

Pois o meu estado está muito em baixo, ao pensar que o estado do país quase não me deixa pensar noutras coisas, às quais gostava de me entregar, sem ter de sentir-me prisioneiro dentro da minha própria vida e dos meus receios.

Sinto que vivo num país e num estado constantemente adiados, o que provoca nos cidadãos um estado de ansiedade pelo que nele devia acontecer, ou um estado de alheamento pelo vazio do que não acontece mesmo.

Diz-se por aí que o país está nas mãos de uma decisão que aguarda, há algum tempo, do Tribunal Constitucional. E que vai continuar a aguardar por mais não se sabe quanto tempo. São assim, já se sabe, demoradas, essas decisões.

Mas, sendo isso tão importante para o país e para o estado, não se compreende porque não se acaba com este nosso estado de angústia e se altera esse mecanismo de decisão. E, talvez, o estado de espírito dos juízes.

Tanto tempo a olhar para uns tantos, poucos, artigos, que os senhores conselheiros altamente qualificados na matéria, já sabem de cor e salteado, a menos que o número de decisores vá muito para além do palácio.

Nesse caso, o nosso estado tem decisores a mais e decisões a menos. Se vivemos num estado de emergência social, também devíamos viver num estado de emergência decisora, por forma a aliviar o nosso estado de espírito.

Como em tantas outras coisas, quando houver uma decisão, provavelmente, já não precisaremos dela pois, entretanto, ou já cá não estamos, pelo menos neste estado, ou já alguém tomou as decisões que eles deviam ter tomado.

O mesmo se passa com as candidaturas autárquicas. Aqui, há um grupo de interessados que já disse como é, e como vai ser. No seu estado de, quero posso e mando, a decisão está tomada. Vamos ver se alguém se pronuncia.

Mas, sobretudo, se alguém se pronuncia em devido tempo. Os decisores, se é que alguém o vai ser, vamos ver se manifestam o seu estado de espírito com os olhos postos no interesse do país, ou no poder do estado parado no tempo.

O tempo vai mostrando que temos um estado tão parado que até os agentes que deviam fazê-lo mexer, as polícias, por exemplo, em lugar de andar na rua, volta não volta, o ministro manda mais uns tantos para o olho da rua. Agora 58.

Calculo o estado de espírito destes sujeitos que mexeram em qualquer coisita. E lá ficarão a pensar nos muitos que mexeram em muitos milhares ou milhões e continuam a ser galardoados e elogiados em grandes cerimónias públicas.

Temos um estado em que tudo nele funciona no ritmo normal. O estado de todas as instituições é normalíssimo. Porque ao longo de muitos anos sempre foi assim. E, quando o estado das coisas é excelente, deixa-se correr. É o caso.