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afonsonunes

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07 Mar, 2013

BODAS ADIADAS

 

Como vivemos num país adiado, é natural que esteja tudo, ou quase tudo, a ser adiado. Isto, na versão mais generosa da crise, pois há em muitas pessoas a sensação de que o próprio país já foi cancelado definitivamente.

Ora, se assim fosse, também deviam cancelar-se todas as bodas e não adiá-las, pois não podem fazer-se eventos num país abatido ao efetivo. Mas, a verdade é que ainda há bodas marcadas para este mês e, simplesmente, adiadas.

É o caso da boda do ministro Miguel Relvas. Ao que me consta por causa da crise e das greves da TAP. Aqui é que a porca torce o rabo. Qualquer das desculpas me parece completamente esfarrapada. Crise? TAP?

Será que os ministros, todos eles, obviamente, já só estarão a receber dez por cento do vencimento, como outros grandes gestores que se queixaram? Como diz a minha prima: eu não acredito. Logo, a boda do ministro deve fazer-se já.

Quanto às greves da TAP, isso é conversa de gente Relvas. Então o ministro mais poderoso do governo não é capaz de acabar com uma greve? Que mais não seja, decretar serviços mínimos para que um avião fique às suas ordens.

Eu até acredito que haja muitos portugueses que já tenham adiado ou cancelado as suas bodas. Mas esses, sim, não podem com as despesas dos banquetes. E não dá jeito nenhum, casar e ir para a cama de barriga vazia.

Agora, um ministro qualquer e a sua amada, têm banquetes todos os dias, de casamentos de conveniência a dar com um pau. Deixarem de ter a sua boda, é como acreditar que, depois dela, não tiveram uma bela noite em grande.   

Por exemplo, irem ambos para a cama de barriga vazia e levantarem-se de manhã com a barriga cheia. Isso até acontece antes da boda, tal como umas viagens com descontos especiais ao fabuloso mundo dos negócios opacos.

Neste país em extinção, não são precisas bodas para se encher a malvada, nem tão pouco é preciso esperar que acabem as greves da TAP, para que os bodalhões se divirtam à grande e façam as suas apetecíveis escapadinhas.

O país só terá a perder se as bodas e os casórios começarem a ser adiados ou cancelados. O povo adora bodas de gente que se vai embora por uns tempos em lua-de-mel. E fica desiludido ao saber que os bodalhões nunca mais saem.  

 

 

 

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