Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

 

Lá porque começa hoje em Roma a maratona para a eleição papal, não quer dizer que seja esse o assunto destas linhas. Pela simples razão de que me preocupam muito mais os papos-secos que nos comem as papas na testa.

Depois temos de pensar em todos os papas que enxameiam as nossas aldeias, vilas e cidades, que não vão ao conclave, mas sabem bem, mesmo muito bem, como nos cobrar a respetiva côngrua. E cobram mesmo, sem dó nem piedade.

São papões que andam sempre de papo cheio, muito mais papistas que o papa, embora tenham uma maneira muito especial de fazer as suas rezas, para que não falhem nos seus objetivos de puxar os milagres para o seu lado.

Além das forças papais, que são enormes, também as forças cardinalícias são um capital de fé na conversão dos fiéis amigos, muitos dos quais saíram das profundezas dos infernos. Fé dos infernos que é mais poderosa que as outras.

Assim, todos os dias aparecem fraudes e mega fraudes, autênticos milagres de conhecidos papa tudo, sem que isso constitua já motivo de surpresa, ou provoque qualquer reação, além da indiferença ou banal encolher de ombros.

Isto porque ainda vai havendo quem tenha papas suficientes para acomodar a barriga, pouco se importando com os muitos que não conseguem um mínimo de carolo para fazer uma malga delas, que lhes acalme a vontade de gritar.

Até os cardeais que fazem os conclaves cá do sítio, já modificaram muitos dos seus antigos rituais. Aposto que, depois da profunda reflexão de hoje, lá os teremos amanhã, com o seu papa ‘demérito’, tentando encher a ´málaga’.

Não me admiraria nada que amanhã, mesmo quebrando o recolhimento e as votações, todos os cardeais fizessem uma pausa ao fim da tarde e, frente aos televisores, mostrassem a sua solidariedade para com o papa que não resigna.

E se há um papa que não resigna, também não se justifica que os cardeais, mesmo os do conclave da Capela Sistina, não façam uma pausa na hora de saber se o papa, em peregrinação a Málaga, sai em ombros ou cai de joelhos.     

Sei perfeitamente que estou a blasfemar. Quem vem dos infernos não tem fé, porque não há má-fé, nem boa-fé, quando se fala de papas, de papos cheios, ou de cardeais. Há simplesmente fé, muita fé, no papa aclamado em Málaga.