Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

16 Mar, 2013

Que pena, Aníbal!

 

O nome das pessoas parece estar a assumir uma importância nunca vista na nossa história moderna, de tal forma que anda por aí um reboliço tremendo sempre que algum desses nomes mal-encarados aparece à rua.

E então, com aquela força que brota de gargantas que mais parecem tubos de escape, saem vozes que bradam por demissão de um tal Pedro, ou de um tal Passos, ou ainda de um tal Coelho. Estes os principais nomes que já não colam.

Mas, não são os únicos. Vítor está igualmente na berlinda, como se o seu pecado fosse ter sido batizado com esse nome. Mas há outros, caso de Miguel ou Álvaro, embora estes estejam agora a beneficiar da fraqueza dos outros.    

Até o nome de Aníbal, que já foi símbolo onomástico nacional, atravessa agora uma zona de sombra e ruído, sempre que se atreve a dar as suas voltas pelas terras onde costumava ouvir palmas sem fim. Enfim, coisas da vida.

Principalmente agora que um novo Papa foi eleito em Roma, as pessoas ficaram com a ideia de que todos os papas do país, e são muitos, deviam escolher quanto antes o nome de Francisco e honrá-lo como o Papa de Roma.

Realmente, o Papa Francisco, desde a sua primeira aparição em público, já deu lições claras de como deviam ser os papas nacionais, senhores dos destinos de tantos cidadãos desprotegidos, como se não tivessem um nome sequer.

São esses cidadãos sem nome que não querem nomes como Pedro, ou Passos, nem Coelho. Querem sim, um Francisco em cada lugar, onde o povo tenha sido maltratado, ignorado e espoliado, por um portador de nome indesejado.

São também esses cidadãos sem nome que, na impossibilidade de terem os seus Franciscos nos lugares próprios, que já gritam nomes sem fim, impróprios, é verdade, mas que refletem o sentir dos que não têm nome nenhum.