Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

 

Lá que alguém tenha o descaramento de querer convencer-nos de que somos incapazes de perceber as suas asneiras constantes, ainda se aceita, se considerarmos que se trata de alguém simplesmente desumano e insensato.

Se alguém está convencido de que nos convence, e se convence a si próprio, de que tudo o que faz é perfeito, há qualquer coisa que está a contrariar a estabilidade própria e alheia. É alguém que não passa de um incompetente.

Mas se alguém quer meter as suas palavras loucas na nossa cabeça, com o intuito de as seguirmos como verdades incontestadas, então esse alguém desconhece o asco que sentimos perante tão infame mentiroso.

Agora imagine-se um ignorante que se julga culto, um incompetente que não acerta uma e ainda é um incorrigível mentiroso. A acrescentar a tudo isso, por louvar o que nunca fez, esse alguém representa também o cúmulo do cinismo.

Tudo isto não tem nada a ver com as palavras proferidas pelo Presidente da República e pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros em Roma, onde representam o país na missa de entronização do Papa Francisco.

É comovente vermos como ambos se sentem felizes com as palavras papais em favor dos mais fracos. Mas é mais comovente ainda, verificarmos que no nosso país, no país deles, os mais fracos se sentem completamente protegidos.

Logo, a satisfação de ambos pela eleição deste Papa providencial, radica no facto de os presidentes e governantes que não tinham essa sensibilidade, vão passar a tê-la agora. No nosso país, não vai mudar nada. Já era assim.

Já era assim, porque o nosso rumo é exemplar e orgulhamo-nos de o partilhar com o mundo, a quem podemos, com a nossa autoridade moral, recomendar que a Europa está a trilhar caminhos perigosos. Felizmente que nós, não.

Haverá emoção, entusiasmo e fascínio pelas virtudes do Papa. Mas, que não exagerem nas emoções, os maiores praticantes da luxúria, da ganância, da mentira, do egoísmo, da insensibilidade social. Isso é o cúmulo do cinismo. 

É tudo isso e muito mais que o Papa Francisco quererá erradicar da própria Igreja. Mas, quem sabe, talvez não resista à tentação de denunciar quem muito bate com a mão no peito e faz o contrário daquilo que pretende mostrar.