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afonsonunes

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20 Mar, 2013

Faltou lá o Miguel

 

Por mais que o país se esforce por convocar os melhores portugueses para o representar em ocasiões relevantes, haverá sempre alguém que falta à chamada. Certamente que nem sempre será por vontade própria dos faltosos.

A verdade é que há ocasiões mais que relevantes, ocasiões históricas, em que tudo devia ter sido feito para garantir condições para que, portugueses excecionais, não ficassem de fora de acontecimentos históricos.

Estranhei que isso tivesse acontecido mais uma vez, agora na cidade eterna, onde o mundo inteiro se fez representar, através dos seus mais altos e ilustres filhos, mas também através de simples e anónimos cidadãos levados pela fé.

Todos pudemos ver pela televisão o nosso Aníbal, a nossa Maria e o nosso Paulo, todos imbuídos de um espírito renovado pelo ar emanado dum vulto simples e novo. E vimos bandeiras nacionais erguidas no meio da multidão. 

Mas, no meio dessa multidão de gente que veio de todo o mundo, incluindo de Portugal, ninguém conseguiu descortinar a figura de Miguel que, por mérito próprio, devíamos ter visto junto de Maria e de Paulo. Logo atrás de Aníbal.

Ainda que tal ausência se devesse a restrições orçamentais, fictícias ou reais, ou à malfadada austeridade, o prestígio do país não devia ficar afetado pela falta de um grande português, num evento que o podia tornar ainda maior.  

Sim, pois mesmo quem já é enorme, tem sempre uma margem de progressão nos seus bons princípios e nos ótimos hábitos que já possui. Sobretudo, quando os ares que podia respirar em Roma, lhe dariam um aspeto mais solene.

Mas, acima de tudo, o mundo não devia ser privado de um contato tão agradável e tão profícuo com uma individualidade que cativa e predispõe à simplicidade e a uma vida sóbria e solidária. Enfim, faltou lá o Miguel.