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afonsonunes

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23 Mar, 2013

SÓCRATES RESOLVE

 

O país tem estado prisioneiro de um governo já insuportável pelos portugueses, só e apenas porque não se perscrutavam alternativas suficientemente fortes para serem consideradas. Ou dignas de ser arriscadas.

Como se a catástrofe fosse sempre preferível ao risco de se tentar fugir dela. Fugir da catástrofe é hoje o impulso da grande maioria das pessoas que já estão completamente manietadas para se poderem salvar onde se encontram.

Daí que seja preciso e urgente que se tente por todos os modos, recorrer a alguém que faça qualquer coisa, tendo em conta que, pior que isto, é quase impossível. Igual ao que temos, qualquer um faz. Logo, há que tentar.

Este governo tudo fez para que Sócrates chamasse a troika. Porque a não queria, este foi-se embora. Este governo ficou feliz por ser chamado a cumprir um programa que, agora, diz que herdou do seu antecessor.

Pois bem, este governo não foi capaz de lidar com esse programa. Disso já não há dúvidas. Agora, diz que Seguro não tem competência para dar seguimento ao seu desempenho. Logo, este governo entende que é insubstituível.

Neste momento tudo mudou. O país acaba de ganhar mais uma alternativa. E que alternativa. O homem que negociou o programa está de volta. É, portanto, o homem que está em excelentes condições para nos resolver o problema.

Além disso, é um homem que quase toda a gente detesta. Isso é bom. É muito bom. É sinal de que tem condições para dar ao povo as desilusões a que já está habituado. Mas, também é o homem que a troika detesta. E isso é ótimo.

Porque não há nada pior que negociações entre amigos. É o caso deste governo e da troika. São unha com carne. O homem que acaba de chegar, vai bater o pé à troika, porque sabe o clausulado que negociou. E vai exigir que o cumpra.      

Portanto, já há alternativa. E mais. Não querem ver o homem na televisão, pois não? Assunto resolvido. Vai para primeiro-ministro e acabou-se. Acabam-se também as guerras do Coelho com o Seguro e a clausura de Cavaco.

Há apenas um pormenor de somenos importância. O homem, Sócrates, pode ter o orgulho um pouco ferido. Porém, nada que se não resolva com uma reunião a três: ele, Cavaco e Relvas. E pronto, o país está finalmente salvo.