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afonsonunes

afonsonunes

03 Dez, 2008

Governo em guerra

 

O governo abriu guerra com a sociedade portuguesa em todas as frentes, facto que está a preocupar sobremaneira a comunicação social e os analistas políticos, agora muito preocupados com a provável perda de alguns votos, que podem determinar vencer as próximas eleições sem maioria absoluta.
Facto já consumado para essa gente, é que o partido do governo vai ganhar as eleições, sem qualquer espécie de dúvidas. Parecia-me razoável que começassem, desde já, a dar os parabéns ao vencedor e, ao mesmo tempo, um voto de consolação aos dignos perdedores ou, se preferirem, vencidos. Isto é inédito, digo eu, na nossa democracia, que respira saúde por todos os poros, haver resultados eleitorais, praticamente a um ano de distância da realização do acto.
Fazer previsões tão certeiras, com esta antecedência, só revela que temos muita competência em quem domina esta área da futurologia política, ao contrário do que dizem os grandes vencidos, que reclamam circuitos de passagem das suas mensagens, à falta dos quais atribuem os seus desaires. Mais um sinal de que eles próprios não acreditam em qualquer espécie de vitória.
Agora, levanta-se aqui um grande problema para toda essa gente. Como é que se compreende que um governo que está em guerra com a quase totalidade da sociedade portuguesa, consegue esta proeza inédita de ganhar eleições com esta antecedência, com esta ausência de risco nas previsões dos entendidos na matéria, e também dos próprios vencidos. Parece haver aqui qualquer coisa que faz com que não bata a bota com a perdigota.
Quase que sou levado a pensar que, afinal, o governo quer guerra com os eleitores, para ganhar as eleições, já que, com paninhos quentes não vai a lado nenhum. Além disso, já reconheceu que da única vez em que lhes fez a vontade, substituindo um ministro por uma ministra, ouviu uns piropos de acusação de fraqueza, vindos de gente de vozes fortes, que se provou depois, se calariam de qualquer das maneiras.
Provavelmente agora, para variar, queriam a substituição de uma ministra, por um ministro. Não se trata de desfazer a troca anterior, com certeza. Os analistas ainda não se pronunciaram sobre as consequências dessa eventualidade. Presentemente, parece que gostariam da ideia, mas depois de ela acontecer, lá viriam com a derrota do governo na opinião pública, mas que isso até ajudaria a angariar mais uma data de votos a seu favor. São coisas que, sinceramente, muito me custam a perceber.
O normal em qualquer democracia é que quem governa mal perca as eleições. Ou não será? Confesso que estou a ficar um pouco menos esclarecido que os vaticinadores de tão estranho fenómeno político. Com franqueza, essa da maioria absoluta faz-me cócegas num sítio que eu cá sei. Então os senhores ainda não previram que a soberana vontade dos vencidos é poder, depois, vencer o governo no parlamento, já que não conseguem ganhar as eleições? Mas que raio de previsões fazem os senhores?
Não me queiram convencer que, afinal, há guerras que são uma maravilha.

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