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afonsonunes

afonsonunes

01 Abr, 2013

BRAVO, PRESIDENTE !

 

Finalmente, um gesto de relevo em prol de uma RTP mais pública e, já agora mais decente. É apenas um gesto vindo do seu presidente, mas sempre é melhor que nada. Até porque ainda não tinha mostrado nada de jeito.

Pelo contrário, a demissão do ex-diretor de programas mostrou um lado muito ao mau jeito de mandar mal, próprio da corrente que nos governa. Daí que esta surpresa chamada Sócrates tenha caído como uma bomba no país.

Bomba que surpreendeu quem gosta do ex-primeiro ministro pelo inesperado da reviravolta no conceito de interesse público. Como bomba para quem o detesta, pela destruição da ideia de que lhe devia ser negado falar para o país. 

Quando o presidente da RTP diz que a empresa precisa de mais independência, mais serviço público e mais audiências, no meu entender, e pela primeira vez, parece ter encontrado o caminho que se espera de um qualificado gestor.

Sem dúvida que foi resultado do efeito demolidor das televisões privadas sobre a pública, ao enveredarem pela diversificação da opinião, através do combate ao monopólio de uma informação seletiva sempre inclinada para a direita.

De espantar foi o assentimento da tutela, que não tinha de ser consultada sobre o contrato com Sócrates, mas foi e, (como foi possível!) aceite sem tugir nem mugir. Miguel Relvas deve estar muito frágil para aceitar coisas destas.

Aliás, todo o governo deve estar já muito pouco senhor das suas habituais resistências à concessão de oportunidades que lhe são hostis. Dar a Sócrates a oportunidade de se defender, sabendo que ele ia atacar, é uma bela pirueta.

Fez bem a RTP e fez bem o governo. Se Sócrates enveredar pelo caminho errado, só verá o seu futuro ficar mais negro do que foi o seu passado. Se conseguir demonstrar que lhe fizeram a vida negra, o país só tem a ganhar.

Diz-se, e bem, que da discussão nasce a luz. E, particularmente, desta discussão, também nasce o dinheiro que uma televisão pública precisa para ser independente. E deixar de esfolar os contribuintes que já não a podem ver.

Muito bem, o presidente que quer uma televisão que se governe fora do orçamento do estado. Muito mal, o presidente que quer ver nela mais futebol. É melhor deixar essa coisa para as privadas, pois isso é negócio prestes a falir.

Vamos ver se o tempo não virá a aconselhar que também os comentários políticos e os comentaristas, todos eles, se transfiram para as privadas. Mas, enquanto isso não acontecer, que a palavra seja para todos. E o dinheiro, claro.