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afonsonunes

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Para quem não conhece, este mimo de literatura faz parte de uma canção popular muito antiga, admitindo que a transcrição não esteja completamente fidedigna. Convém também esclarecer que não sou eu que ando por aí a menear-me, mas confesso que não me é indiferente o meneio que entrou nos hábitos de pessoas que fazem parte do meu quotidiano. A dita e ditosa canção servia, não sei se ainda serve, para acompanhar danças de ranchos folclóricos, vestidos a rigor, típicos de meios rurais, onde a alegria era extravasada, nos tempos em que ainda não havia as secas televisivas, que hoje nos impingem outros meneios, em tons muito mais chatos que a canção do bandido. Lá na sua, queriam os cantantes dizer que podiam abanar-se à vontade, saracotear-se sem rodeios e sem limitações de qualquer espécie, até porque não havia então, qualquer júri de avaliação que lhes pudesse lixar a disposição, ou até o futuro. Muita gente estará agora a pensar que esses é que eram bons tempos. Por mim, não me saracoteio, porque não quero ser arrasado, seja qual for a opinião que emita. Já há demais quem o faça. Mas, vamos lá aos meneadores que hoje proliferam diante dos nossos olhos. Uns escrevem, outros ditam, o que não significa que uns sejam escritores e os outros ditadores. Mas meneiam-se a toda a hora nos seus habitats naturais, que variam consoante as aptidões mas, principalmente, consoante os ecos que descortinam entre outros meneadores que lhes andam muito próximos. Os maiores meneadores, porém, facilmente se descobrem nas notícias que nos oferecem um rol de novidades diárias, que nos deixam de boca aberta. Ele é o bandido do gajo que garantiu que chovia a potes no dia seguinte. Ela é a mal encarada que descobriu onde o tipo meteu a massa que em tempos foi dela. Ele é o mentiroso que julga que todos os dias do ano são o primeiro de Abril. Para nosso espanto, no dia seguinte, os meneadores visados, abrem os olhos aos meneadores delatores, com factos indesmentíveis. O bandido do gajo diz, com um sorriso nos lábios e braços abertos: vejam como hoje temos um dia de sol radioso. Como podia eu ter dito um disparate daqueles. A mal encarada, com a cara habitual afirma: ele não tem dinheiro para nada, como é que a massa podia ter sido minha? Depois, o mentiroso irritado, desabafa: posso garantir, sob palavra de honra, que nunca menti no primeiro de Abril. Ora agora é que m’eu meneio. Acabo de verificar que não posso ficar quieto no meio de tantos saracoteadores. È que eles usam uma linguagem tão inconstante, como os abanões que os movem no meio desta confusão de verdadeiros comediantes de marionetas, dos quais não estou em condições de distinguir quem é que dá a traulitada e quem é que leva no toutiço. Sinceramente, esta comédia já não me diverte mesmo nada.