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afonsonunes

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Esperava-se a ocorrência de uma trovoada para o dia de ontem mas, à medida que o sol se ia escondendo, as esperanças iam-se diluindo. Esperanças num raio que partisse estes receios crescentes de que ninguém tinha mãos neles.

Afinal, o raio caiu mesmo e com força maior do que aquela que muita gente esperava. Afinal ainda há, ou pelo menos ainda houve, um clarão que ofuscou arrogâncias e complexos de vitória sobre tudo e sobre todos.

Nada indica que isto não venha a ser o raio que nos parta, a nós, cidadãos contribuintes, mas já é um consolo verificar que também foi um raio que os parta a eles, inconsoláveis derrotados, já a pensar numa desforra vingativa.

Porque aquela ideia de que outros tinham baixado de divisão, como acontece aos clubes incompetentes, afinal, este raio que não esperavam, atirou-os, a eles, para o último dos escalões, não do futebol, mas da sociedade em geral.    

Desta vez saiu-lhes a dura fava do bolo, quando já estavam com a língua de fora para lamber o tenro grelo do nabo. Agora, a mastigação da fava seca, vai ser difícil e demorada, enquanto os nabos podem folgar um pouco.

No entanto, a trovoada continua por aí, os raios e os trovões vão continuar a cortar os céus. Cortes que vão continuar a não atingir as grandes insanidades, quer as absolutas, quer as relativas. A estas, não há raio que as parta.

Afinal, o raio que partiu os descontentes, que é, dizem, de mil e tal milhões, não chega para fazer tremer todos aqueles que roubaram ou beneficiaram das fraudes de grandes dimensões que continuam intocáveis.

Já há quem, há algum tempo, reclame que se vão cobrar esses muitos milhares de milhões, para que o raio que os parta a eles, não nos parta a nós, a quem já partiram tudo e mais alguma coisa. Basta que lhes cortem o que não é deles.