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afonsonunes

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O Constitucional acaba de prestar um grande favor ao governo da república mostrando-lhe o caminho que de há muito lhe fora indicado pelos seus temidos e ao mesmo tempo adorados credores.

Dadas as hesitações das duas partes no avanço da decisão em implementar as medidas agora tão malevolamente chumbadas, no dizer do primeiro-ministro, o Constitucional tomou a iniciativa de tranquilizar os hesitantes.

Assim, os credores viram concretizados os seus desejos, sem terem de se chatear com mais insistências, sem resultado, para que fossem feitos os cortes que já estavam em atraso. O governo arranjou um alibi para cortar mais fundo.

O que o governo não previu foi a argolada que meteu ao demonstrar que de Constituição não percebe nada. E ao demonstrar que, de Constitucional, ainda percebe menos, tal como já tinha demonstrado o mesmo quanto a governar.

No entanto, e para compensar essas falhas, percebe imenso de cortes, mas sempre nos mesmos, defendendo assim, que o seu princípio de igualdade, assenta na simplicidade do corte, não se metendo em cortes mais elaborados.

Tal como ontem, vamos ter hoje uma matiné às seis e meia da tarde. Até parece que pretende ser uma réplica ao filme de terror que o primeiro-ministro teve a gentileza de nos oferecer ontem e do qual ainda não nos refizemos.

Daí que se aconselhe vivamente a que ninguém falte à réplica de hoje, pois até pode acontecer que seja exibido um filme cómico para nos desanuviar a cabeça dos horrores de ontem. De qualquer modo, vale muito mais rir que chorar.

Embora, estranhamente, também tivesse encontrado por aí quem risse muito no domingo, quando devia limpar as lágrimas. Mas hoje, segunda-feira, ainda antes da matiné, já vejo foguetes de lágrimas que podem rebentar nas mãos.   

Bem me parece que os humores de muitos portugueses andam ao contrário. Mas também há aqueles que ainda não decidiram se devem rir ou chorar. Realmente, o que nos chega de todos os lados só dá para fechar os olhos.