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afonsonunes

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16 Abr, 2013

QUANTOS SÂO?

 

É evidente que não estou armado em valentão, senão tinha de fazer a pergunta duas vezes seguidas. Além de que tinha de fazer a voz grossa e convencer alguém de que a quantidade de opositores não me assusta.

Sou tão pacífico que, embora não saiba ao certo quantos são, deduzo que são os sete que vejo numa fotografia, aparentando um grupo de turistas, todos engravatados e metidos em fatos de gente que quer mostrar que é graúda.

Reparo ainda que apenas dois deles trazem uma pasta, que só de olhar para elas impressiona. Sabemos que não trazem dinheiro dentro delas, mas trazem papéis que valem muito dinheiro. Papeis que nos custam os olhos da cara.

Os outros cinco vêm de mãos a abanar, fora dos bolsos, sinal de que estão vazios, mas a mim fica-me a impressão de que vêm com o firme propósito de os encherem à nossa custa, embora fingindo que nos vão dar qualquer coisa.

Olho bem para a fotografia e vejo que estão a entrar, se não me engano, no Ministério da Finanças. Aparentam um ar triunfal de quem vai assaltar, com o consentimento dos assaltados, um local onde vale a pena meter a mão.

Logo me vem à ideia que lá dentro estejam sete assaltados, com Gaspar à frente, sorridente, soltando um forte suspiro como o de quem, finalmente, vê chegar os seus salvadores. Ainda há assaltantes amigos dos assaltados.

Depois, imagino eu, seguiram-se os fraternais abraços, sete vezes sete e, lá mais para dentro, estenderam a papelada numa mesa onde já havia montes de outros papéis. Já sentados, começaram as trocas e os murmúrios entre eles.

Volto a olhar para a fotografia da chegada dos sete. Aquelas caras não me são estranhas. Um escurinho, um careca, um baixinho… Hum… Isto cheira-me a troika. Logo me veio à ideia que se devem ter esquecido de alguma coisa.

Se não foi isso, ainda na viagem de ida, devem ter recebido uma chamada de emergência do Gaspar, pedindo ajuda imediata. Só assim se percebe por que motivo me parece que os vejo partir e chegar quase todos dias.

Só pode ser: O Gaspar está mesmo atrapalhado. Agora ainda mais que nunca, pois já vê o Álvaro a tocar-lhe nos calcanhares, com o Portas a assumir um ar que me parece já estranhamente sério, quando ele era tão risonho.

Não sei se os da troika são mesmo os sete da fotografia. De qualquer forma, o ar confiante deles, parece desencadear um crescente ar de preocupação nos seus interlocutores. Que, em boa verdade, já não sei mesmo quantos são. 

Com Seguro ou sem Seguro.