Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

18 Abr, 2013

A MARMITA

 

O Conselho de Ministros que decorreu entre as quinze horas de ontem e as duas da madrugada de hoje, teve a particularidade de tratar de pizas durante toda a sua longa duração. Parece uma estranha maneira de o ver, mas não é.

Segundo os meus palpites, entre as quinze e as vinte e uma horas, todos os participantes se entregaram afanosamente à tarefa dos cortes. Das pizas, claro. Bem cortadinhas em fatias estreitas, porque não se pode abusar.

Depois, das vinte e uma às duas, decorreu o período de mastigação. Tarefa difícil, pois as pizas estavam um pouco estornicadas. Daí que houvesse alguma contestação a este programa de um Conselho de Ministros tão especial.

A propósito, Gaspar fez uma longa dissertação sobre os custos das pizas, concluindo que o governo tinha de se aproximar do povo. Se os funcionários públicos levam marmita para o trabalho, os ministros têm de fazer o mesmo.

Portanto, daqui em diante, nada mais de pizas, para que se possa pisar, mas pisar com justiça, os tão mal pisados funcionários e reformados. Ficou pois assente a presença de marmitas  no Conselho de Ministros diurno ou noturno.

Segundo um novo conceito gramatical, marmita não é apenas aquele pequeno tacho fechado onde se mete comida para uma refeição pronta. Marmita é também aquilo que se situa acima do pescoço humano. Vulgo, tola ou cabeça.

Dando exemplos concretos, Relvas já levou na tola, do mesmo modo que Gaspar está a levar na cabeça e Passos ainda está para levar na marmita. Isto, apesar de Maduro estar a fazer tudo para que todo o governo amadureça.

Sabe-se que o país precisa de promover a marmita à escala global. Cavaco está na Colômbia e no Perú, com a marmita bem quente, pensando num coelho seguro. Portas e Álvaro, com a marmita à pressão, fugiram às pizas da véspera.

Os portugueses que passam os dias a caminho das cantinas com a marmita na mão, não podem deixar de considerar uma luxuosa estravagância, um Conselho de Ministros a comer pizas, mas ainda sem verba para papel higiénico.

Entretanto, Gaspar já se raspou para o estrangeiro. Como ele é o mais poupadinho de todos os portugueses, estou em crer que vai alojar-se num banco do aeroporto e, à hora devida, puxa da marmita e cá vai disto.