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afonsonunes

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26 Abr, 2013

"CONCENÇOS"

 

Tenho cá um pressentimento de que muita gente fala de concenços com a exata noção do que está a dizer: uma enorme barbaridade. Oralmente não se nota nada, mas quando temos que escrever esse concenço, é o que se vê.

Para essa muita gente não existem erros ortográficos pois, normalmente, não ligam a essas minudências da gramática. O que mais interessa não é o que dizem, mas sim aquilo que os outros ouvem. Ou querem ouvir. É concençual.

Toda a gente sabe que quem se mete a falar de consensos em matéria de política, só pode estar a brincar aos concenços. Isto é, a tentar uma brincadeira que não existe, ou a fazer um jogo em que é adversário de si próprio.

Imagine-se um cavaco a querer brincar com o fogo. É evidente que acaba por ficar queimado. Mas se um cavaco se mete a tentar consensos, não se queima, pois toda a gente sabe que ele nem sequer sabe balbuciar concenços.

Do mesmo modo, podemos imaginar um coelho a querer fazer consensos com os caçadores. É evidente que leva chumbo logo que sai da toca. E então se o coelho tem a pretensão de armar em caçador, leva logo concenços nas orelhas.  

A propósito de coelhos, os portugueses acabam de sentir um grande alívio. Estavam à espera de levar hoje mais um corte profundo. Não sabiam onde, mas ficou adiado para terça-feira. Enquanto o pau vai e vem… É concençual.

No entanto, o que já não é consensual, é ver que esses cortes, que têm de ser feitos até essa terça-feira, correrem o risco de passar para as tantas da manhã de quarta-feira. Uma tragédia. Um incumprimento sem concenços possíveis.

Em boa verdade, o país, agora, não precisa de consensos de espécie alguma. O país precisa de gente que saiba o que diz quando abre a boca e que saiba o que fazer quando está com o rabo a arder. Depois, sim, os consensos aparecem.