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afonsonunes

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29 Abr, 2013

PINGUE-PONGUE

 

Tenho a sensação de que a generalidade dos portugueses está a progredir no que toca a atividades físicas. É verdade que se trabalhava muito e isso também é uma boa atividade, mas depois veio o desemprego e muitos pararam.

Com meio país parado houve necessidade de estimular ou aguçar a criatividade para que os músculos não entorpecessem. Embora surgisse de repente uma nova modalidade de ginástica que pôs muita gente a caminhar para a miséria.

Para além disso, também temos assistido a umas valentes caminhadas no sentido da prática da ginástica da língua, tendencialmente de sentido único, com monopólios de verdades e de mentiras que já estavam a cansar.

Sobretudo, quando se assistia ao permanente tiro ao alvo, atividade que de física tem pouco. Já para não falar nos praticantes do bilhar que, sem dó nem piedade, desenvolviam os seus exercícios distribuindo rudes tacadas sem bolas.

Os mais abastados sempre tiveram a possibilidade de meterem as suas bolas em bons buracos, através de boas ou más tacadas, usando as suas ferramentas, melhores ou piores, ainda que nem sempre, em verdejantes campos de golfe. 

Tudo isto são atividades, mais físicas, menos físicas, mas sempre maneiras de fintar a tristeza da inatividade. Agora, de há uns tempos para cá, o que está a dar é o pingue-pongue. Sem raquetes nem bolinhas, sem mesa nem rede.

É aquele pingue-pongue entre línguas que vão dando tacadas e recebendo tacadas da mais fina estirpe desportiva. Tudo numa de transmissões diretas. Em todos os dias da semana. Com desportistas do mais alto gabarito.

Ainda não sei se Passos e Cavaco fazem par contra Sócrates e Marcelo, ou se jogam pingue-pongue, uns contra os outros. Tal como não sei se, quando jogam na modalidade de pares, estão realmente a fazer o jogo de equipa.  

Agora, já não se discute quem diz mais mentiras e mais verdades. Agora responde-se às verdades com mentiras, ou às mentiras com verdades. Agora, sim, somos nós que escolhemos as verdades e as mentiras. No pingue-pongue.

É por isso que eu gosto muito de pingue-pongue. Sobretudo, quando é bem jogado. E, espetáculos de boa qualidade, como os desafios que nos são proporcionados, nunca houve como agora. Eu adoro o pingue-pongue.

 

 

 

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