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afonsonunes

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10 Mai, 2013

Calinadas

 

Dar um pontapé na gramática não é coisa por aí além, mesmo entre os eruditos que nos querem convencer de que nunca, mas nunca mesmo, cometem qualquer deslize, ainda que seja no chão molhado da sua cozinha.

 

Porém, dar uma daquelas calinadas gramaticais de bradar aos céus, num círculo de elevado nível cultural, como é a Assembleia da República, em discurso de enganador conteúdo político, é cometer um duplo engano.  

 

Mas, bastante esclarecedor da mente de quem comete esse duplo erro, é dizer, perante as gargalhadas que saíram espontaneamente da boca dos deputados, que foi um dito em jeito de, como diz o povo. Uma calinada propositada.

 

Que se digam as calinadas ao correr da pena ou da conversa, é humano. Querer fazer crer que o povo, no seu linguajar diário, por graça ou a sério, dá calinadas do tipo daquela que ali se ouviu, é ser maldoso para com o povo que o elegeu.

 

Querer fazer crer que um político, um governante, dá uma calinada para fazer rir tanta gente, só pode cair no ridículo de ser um cómico de mau gosto. Num debate em que a seriedade tem de imperar, nada pior que mostrar o que se é.

 

A única conclusão que pode tirar-se dessa ocorrência, é o facto de ser bastante esclarecedor, que quem se justifica dessa maneira, é um reincidente em dizer coisas, para que ninguém acredite nele. E é isso que está a acontecer.

 

No entanto, ainda vamos ouvir dizer ao primeiro-ministro que ele, e todo o seu governo, foram e são muitíssimo muito sérios e competentes. É evidente que haverá sempre quem diga que é verdade e está muitíssimo muito bem dito.