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afonsonunes

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11 Mai, 2013

SUBMARINO À VISTA

 

O submarino português tem andado muito recolhido nas profundezas dos oceanos, só muito raramente deixando adivinhar que se encontra quase a aflorar na superfície das águas de turbulentas ondulações.

Este submarino, de um colorido pouco habitual, fugindo do guerreiro cinzento-escuro para o pacífico e suave amarelo orlado de azuis clarinhos, ganhou mais notoriedade que o célebre monstro do lago, Nessie de seu nome.

O mar em que se abriga o nosso monstrinho anda demasiado agitado comparado com o lago do Nessie. Este, esconde-se entre a bruma dos nevoeiros cerrados. O nosso, navega entre as brumas da memória do país.

E o país deste monstrinho, ou submarino amarelo, está comandado à distância pelo estranho poder de dez dedos que vão carregando em botões de controlo, quando devia ser exatamente o contrário. O submarino controlado pelo país.

Pressente-se cada vez mais que o governo depende de um submarino, o mesmo que, por controlo remoto, manobra o país. E a questão que se põe é, por que razão o país não afunda de vez o submarino.

Óbvio que quem podia afundar o submarino era o governo. Para isso, era necessário que o governo sobrevivesse ao submarino. Mas o governo não existe sem submarino e o submarino não sobrevive sem o refúgio do governo.

E, neste dilema profundo, muito mais profundo que as águas do lago Loch Ness, o país sente que cada vez tem mais monstros que vivem nas brumas dos espessos nevoeiros. Os bons abrigos de quem foge da luz natural do país.