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afonsonunes

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17 Mai, 2013

UM ESTALO

 

Portugal está sob a alçada de duas troikas: uma interna e outra externa, sendo que a primeira também está dependente da segunda. No meio de ambas é o país que está mal, pois as troikas lá se entendem para que tudo lhes corra bem.

A interna, constituída pelo mais velho, pelo mais novo e pelo do meio, tem a particularidade de, ser o do meio, quem manda vir quando a coisa aquece. Mas, depois, acaba por se submeter ao critério de prioridades do mais velho.

Já em tempos idos, o do meio disse claramente que o mais velho merecia um bom estalo. Hoje, o mais velho, obriga o do meio a engolir o que disse antes, com a ameaça de lhe dar o estalo que em tempos não recebeu.

Tudo porque a troika externa se está nas tintas para as birras dentro da troika interna, onde o mais novo, também o mais irrequieto, é o mais amado pela troika externa, logo, o mais velho e o do meio passam a vida a engolir sapos.

Curiosamente, de cada vez que algum deles engole um sapo, reafirmam que uma troika é uma troika e, portanto, um sapo é só um sapo. É aí que o mais novo e o mais entroikado, se vinga nos seus dois parceiros mais velhos.

Na tropa, antigamente, costumava dizer-se que a antiguidade era um posto. Tal como no trabalho e em quase tudo. Com estas duas troikas, o posto é dos meninos da mamã. Os mais antigos, servem apenas para provas de cortes.

Dentro da troika interna, o mais velho, já só fala de milagres e de Maria. O do meio, cada vez tem mais vontade de dar estalos nos outros dois. O mais novo já desistiu de ter vontade própria. Mas sente que há estalos e milagres.

Estalos de tal ordem, que tem de mudar a face a cada momento. Milagres que lhe dão certeza de que lá se vai aguentando. Pelo menos, enquanto o do meio se mantiver compatível com os outros dois. E o mais velho tiver Maria.