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afonsonunes

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19 Mai, 2013

FÁBRICA DE POBRES

 

O país está transformado numa gigantesca fábrica de pobres, tendo como sede da sua administração central, os polos de Belém e S. Bento, com um escritório anexo de apoio burocrático, a funcionar em jeito de parlamento.

Todos os administradores desta fábrica, rejubilam de contentamento cada vez que aparece alguém com peso no mundo, ou no país, a falar de combate à pobreza. Porque quanto mais se falar de pobreza, maior será a produção fabril.  

Foi assim quando foi eleito o Papa Francisco e foi assim agora, com a ascensão do Bispo do Porto, a Cardeal Patriarca de Lisboa. Ambos, numa linha clara de combate à pobreza, com críticas duras a quem a permite ou a agrava.

Ora os fabricantes de pobres, parecem sentir um prazer mórbido ao verem que são alvo de críticas daqueles que tanto elogiam. Só vejo um motivo para este procedimento que, no mínimo, parece um contra senso inexplicável.

Mas, como tudo, também isso tem a sua explicação. Os representantes da igreja pedem aos políticos, assim, a todos os políticos, pedem solidariedade, pedagogia, clareza, e outras coisas que tais. Tudo bom, mas tudo muito vago.

Se os políticos fabricantes de pobres quisessem ser solidários e claros, como lhes pedem, podiam reduzir a laboração das suas fábricas, pois parece que ninguém quer falar a sério no seu encerramento definitivo.

Se os representantes da igreja quisessem levar por diante os seus apelos com mais eficiência e clareza, podiam ser mais concretos. Falar de fábricas com nome, de fabricantes com nome. Dos nomes dos países, com mais pobres.

Os políticos aplaudem os apelos vagos, pois consideram que eles não lhes dizem respeito. Sobretudo, os políticos de topo, com as mais elevadas funções nas administrações das fábricas de pobres.

Dá jeito falar de pobres. Os pobres dão jeito a muita gente. Porque os próprios pobres, quantas vezes, na ânsia de minimizar a miséria, provocam rixas entre si. E é sabido que os pobres são os que mais contribuem para a riqueza alheia.