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afonsonunes

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20 Mai, 2013

O TETO DO PALÁCIO

 

Os palácios têm o grande problema das habitações em geral. Quando ficam desabitadas, ou mal habitadas, durante muito tempo, vem a degradação de toda a edificação e depois, a necessidade de proceder à sua reabilitação.

Quando houver necessidade de reabilitar um edifício, no caso, um palácio, em primeiro lugar, há que proceder à saída dos respetivos ocupantes. Seguidamente, começar as obras, depois de muito bem planeadas.

Exclui-se a hipótese de haver degradação total e a necessidade de implosão ou deitar tudo abaixo por qualquer outro método. Portanto, se as fundações estiverem sólidas, há que olhar para todas as paredes e para toda a cobertura.

O palácio em análise, apresenta fissuras profundas em todas paredes acima do solo. O inquilino do palácio deliberou que isso não interessa nada e mandou que fosse feita a reparação do teto, contrariando a opinião dos engenheiros.

Mandou chamar os arquitetos para que o informassem sobre qual o teto mais adequado para o palácio. Foi-lhe dito que o estado das paredes não suportaria um teto, fosse ele qual fosse. Nem sequer um teto de chapa de zinco.

O inquilino foi aconselhado a efetuar as obras, começando de baixo para cima, pelas paredes, e não de cima para baixo. O inquilino, teimoso que nem uma porta, disse que lhe bastava que o teto não metesse água. O resto logo se via.

Hoje, ao final do dia, o inquilino vai pretender ouvir os seus engenheiros e arquitetos, apenas sobre a resolução dos problemas do teto. Não se está a ver como alguns desses técnicos vão conseguir falar do teto sem falar das paredes.

Começam mesmo a surgir dúvidas sobre a necessidade de se manter o afastamento do inquilino para lá do tempo de duração das obras. O senhorio tem contra si, o grande constrangimento das leis de despejo.

Há, no entanto, a convicção de que há palácios ocupados por inquilinos muito desastrados. Muito descuidados. Muito distraídos. Que têm como senhorios o povo que tudo paga. Que pode não aguentar mais despesas com tetos falsos.