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afonsonunes

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21 Mai, 2013

O CONSELHO DA FOME

 

Reuniu ontem o Conselho de Estado durante cerca de sete horas. Desconheço se os conselheiros tomaram o seu lanche em casa. Difícil, pois muitos deles moram muito longe dali. Portanto, mesmo que tenham almoçado bem…

Com exceção do Dr. Mário Soares, que deve trazer sempre umas bolachinhas no bolso, os restantes conselheiros saíram cerca da meia-noite. Hora imprópria para jantar, pois até as Marias deles já nem teriam a sopa quente a essa hora.

Daí se conclui que foi uma barrigada de fome. Não se pode exigir uma discussão viva e acalorada sobre assuntos tão sérios, quando se tem a barriga a dar horas. Pois, e a falar do que se vai comer para o ano que vem.

Não está certo que se trate pessoas de tão elevada posição social, com a imposição de uma estopada daquelas. Espero que ao menos se tenham podido levantar uns minutinhos, assim como quem vai ao bar que lá não há.   

Tenho muita pena de não ter estado lá para ver os conselhos que, imagino, o presidente deve ter recebido sobre a fome que por aí vai, e sobre a fome que aí vem. Também tenho muita pena que a gente não possa saber o que lá se disse.

Talvez seja porque, no país, a fome é um problema secreto. Mas não devia ser. Por isso, sugiro que o próximo Conselho de Estado seja aberto à televisão pública. Tudo transmitido em direto, para todo o país ouvir quem diz o quê.

Mas, sobretudo, para o país ficar a saber se o aconselhado esteve atento ao que todos os conselheiros disseram, ou se fez a sua sesta durante as intervenções de alguns. Depois, para avaliarmos o sentido do comunicado final.

Tenho as minhas dúvidas de que ele reflita a generalidade dos conselhos. Inclino-me mais para a ocultação do estado de quem deu os conselhos. Cheios de apetites devoradores, os conselheiros saem apressados e já sem voz.

Talvez desiludidos por terem falado muito e inutilmente, lá dentro, e por não poderem dizer nada cá fora. Uma frustração para alguns deles, senão mesmo para todos. E foi assim que terminou o conselho da fome.