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afonsonunes

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10 Jun, 2013

NÃO FUI A ELVAS

 

Não fui e não tinha o menor motivo para lá ter ido, pois, em primeiro lugar, não fui convidado para o almocinho à borla e, em segundo lugar, já sabia todas as historinhas de agricultura que por lá se contaram. Mas achei imensa piada.

Além disso, mais uma vez, tive o desgosto de verificar que também não ia ser condecorado, apesar de me considerar um cidadão cumpridor e honrado, pois pago tudo o que o estado me pede, para pagar aquelas medalhas todas.

Depois, até já tive o privilégio de passar por Elvas quando fui a Badajoz comprar umas coisitas. O que até deu para ver o castelo da estrada, mesmo sem parar, ficando maravilhado com a semelhança que lhe vi com outros.

Tenho a certeza de que muitos dos ilustres visitantes de Elvas neste dia dez de Junho, não deram por mal empregue o seu tempo. Pelo que viram mas, sobretudo, pelo que ouviram. Respirou-se história, com as histórias contadas.

Acima de tudo, afastou-se aquele cisma de que o país está mal e que a vida dos portugueses está difícil. Isso não é verdade para este dez de Junho, na cidade de Elvas. Uma cidade cheia como um ovo, rica como nenhuma outra.

Se alguém falar de fome no país, não pode dizer o mesmo da cidade de Elvas neste dia, dia glorioso onde, por um dia, se verificou toda aquela coesão que tanto se tem desejado. Todos amigos, tanto nas palmas como nos assobios.

Ficou bem patente a contenção de gastos a que o país está obrigado. Uma boa parte das compras foi feita em Badajoz, mais baratinhas, enquanto o senhor Gaspar controlou tudo, incluindo o número de pessoas que almoçaram.

De realçar que os cafés e o açúcar, servidos após o almoço, foram oferta simpática de uma empresa das redondezas, enquanto os digestivos, chegaram pela mão de Gaspar, depois de uma ida aos saldos a uma garrafeira de Badajoz.      

A minha não ida a Elvas, não obedeceu a qualquer retaliação por não ter sido convidado, nem medalhado. Foi, simplesmente, por ter entendido que já lá havia gente a mais. E, nestas coisas, mais um, era mesmo gente demais.