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afonsonunes

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Não sei se ei-de rir se ei-de chorar no meio deste remoinho de contradições em que se transformou o país e até o mundo. No meio do infortúnio de tanta gente ainda há quem viva feliz com os males alheios.     

Por isso, não sei se será melhor rir desses profetas do inferno, se chorar pelos que se veem cada vez mais atirados para a sargeta da vida. Não sei se poderei rir do futuro daqueles, sem chorar pelo presente destes.

Ia jurar que quem disse que ‘portugueses ricos andam especialmente tolos’, se encontra nesta encruzilhada de não saber no que isto vai dar mas, certamente, que não augura tudo de bom para alguns dos felizes.

Tem-se falado muito em limites mas a verdade é que os limites vão sendo diariamente ultrapassados. Resta apenas saber quando é que os limites rebentam pelas costuras, como acontece já em várias zonas do globo.  

Os limites para definir a pobreza vão sendo insensivelmente reduzidos, tendo já atingido o grau zero em incontáveis casos. Como se a miséria fosse normal, mesmo normalíssimo, para muitos arautos da justiça social.

Pelo contrário, os limites para a usura, para o roubo, para a falta de vergonha, para o descaramento, para as mais flagrantes injustiças, vão sendo alargados até atingirem a total impunidade para quem tem poder.

E ainda há gente feliz por assistir a tudo isto, não se coibindo de atacar duramente quem se atreve a lutar com os meios ao seu alcance, normalmente muito reduzidos, em defesa das vítimas dos injustos limites.

Ser rico em Portugal, ou no mundo, não é crime, nem sequer condenável. O que é criminoso e abominável, é ser rico por conseguir a riqueza no mundo do crime, e ser tolo porque pensa que vale tudo para ser rico.  

Desses ricos tudo é de esperar. Temos cá bons exemplos. Para mim, o mais estranho, são as pessoas que se sentem felizes no lado errado da barricada, contrário àquele que, em conversa, tanto defendem.