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afonsonunes

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Ainda está bem na memória a última greve dos camionistas que quase paralisou o país. Então, se bem me recordo, o tom geral da opinião pública voltou-se contra o governo, porque este não tomou de imediato, medidas drásticas para evitar as consequências desastrosas para a vida normal dos cidadãos e do país.

Se a memória me não trai, os próprios partidos da oposição tomaram posição bastante dura no mesmo sentido, que era o de uma intervenção que demonstrasse autoridade, para não dizer autoritária, com o argumento de que o governo tem a obrigação de proteger os cidadãos contra todos os desmandos.
Não é fácil definir de repente, o que são desmandos, assim como é igualmente difícil avaliar, a partir de que momento o governo deve usar dessa prerrogativa, para não cair no autoritarismo de intervir indiscriminadamente, como certamente ninguém deseja.
Depois, cria-se a tendência para comparações de importância relativa entre profissões. E aí chega-se ao paradoxo de perguntar, quais são as imprescindíveis, e quais são as que não fazem falta nenhuma (?). Tal destrinça, em teoria, pode conduzir-nos à conclusão de que as primeiras não podem ter direitos reivindicativos, enquanto as segundas, têm todos os direitos do mundo.
Ora, os camionistas não puderam cortar estradas, e muito bem. É ilegal. E lá foi a polícia, cedo ou tarde, a impor o direito de circulação.
Agora, os professores ameaçam utilizar meios (?) para influenciar o normal desenrolar dos próximos processos eleitorais, ameaçam desobedecer às ordens do ministério, ameaçam com o não cumprimento de dar notas aos alunos, tudo pela voz dos seus representantes sindicais.
Sem querer entrar em questões de avaliação de culpas, teimosias ou razões, estou tentado a perguntar a mim próprio, se os motoristas são diferentes dos professores. É que os motoristas impediam-nos de usar os nossos carros, para trabalhar ou passear e, desse modo, paralisavam o país. Mas, os professores, estão a tentar amputar a democracia, através da coacção do voto. Eles têm o direito de votar em quem quiserem, mas o voto é secreto. Até é, uma arma. Mas é uma arma individual, para ser utilizada segundo a consciência de cada um. Não me parece que a consciência possa ser colectiva, sem querer entrar em teorias mais ou menos filosóficas.
Depois, temos os danos colaterais. Os professores estão, no mínimo, a permitir o desrespeito dos alunos a membros do governo. É sabido que os professores argumentam a seu favor, com o facto de educarem os filhos de todos os portugueses. Mas, quando algum aluno é violento para com eles, reclamam do governo medidas que os prestigiem. A educação é um direito dos alunos, e é aos professores que cabe satisfazer esse direito, sem condições, nem exigências, que prejudiquem o seu dever de educar.
O país precisa de camionistas que não bloqueiem, tal como precisa de todos os professores que não tenham a pretensão de governar o país.