Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

afonsonunes

afonsonunes

22 Jun, 2013

QUEM PASSA

 

Quem passa por momentos difíceis em Lisboa, faz muito bem em dar uma escapadela ao fim de semana, nem que seja para uma mudança de assobios e, provavelmente, de piropos de gente alfacinha mal-educada.

Não sei se foi essa a ideia de um maduro e sus muchachos, quererem passar por Alcobaça, na esperança de que, dentro de um mosteiro já sem monges, se passaria uma tarde fresca e sossegada. Sem contestações.

Passar uma data de horas em recolhimento num mosteiro onde se respira silêncio, onde ninguém contesta nada, longe de Lisboa, onde se contesta tudo, é um tónico para reflexões profundas de limpeza de consciências. 

Ali, onde o rio Alcoa tudo limpa e perdoa, e onde o rio Baça faz com que desapareça toda a trapaça, é o local ideal para se regenerar a alma e voltar a Lisboa com uma vontade indómita de calar os contestatários. 

Depois, porque a vida não é só reclusão, pode acontecer que no mosteiro ainda existam alguns daqueles doces conventuais que são de comer e rezar por mais. Quem passa por ser guloso, não pode querer maior gozo.

Quem passa horas tão agradáveis longe do inferno, bem pode enfrentar os tormentos que o esperam lá fora, à saída, talvez um pouco mais ruidosos que aqueles que ouviu à entrada. O estado de espírito é outro.

O país assim o espera. Tal como espera que o espírito maduro se alargue a todos os imaturos que têm persistido em dar origem às contestações generalizadas. Depois, quem passa por Alcobaça, pode mesmo não voltar.

A teoria madura vai resultar. Teoria que vai conseguir implantar a voz única do dono. Do dono que fala que se farta e acaba com as falas de quem o contesta. Só há um perigo: se vários donos resolvem elevar a voz.

É isso que tem acontecido com frequência. Mas hoje, no mosteiro, não. Tudo vai sair direitinho como um fuso. Daqui a alguns dias veremos se a escapadela resultou. Quem passa por Alcobaça, não passa sem lá voltar.