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afonsonunes

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Antigamente o homem do ferro velho comprava tudo e vendia tudo aquilo que comprava. Normalmente, carregava um grande saco às costas e andava de porta em porta procurando ganhar uns tostões no seu negócio.

Mas isso era dantes. Hoje, temos os homens do ferro novo. Porque o ferro velho virou um monte de ferrugem e o ferro novinho em folha compra-se e vende-se sem ter que o transportar às costas. Mas é um grande negócio.

Que o diga o nosso ministro dos negócios do ferro novo. Ele vende vinhos, roupas, sapatos, computadores e tantas outras obras-primas da nossa lavra. Estou em crer que deve levar consigo grandes e boas promoções.

Principalmente, nos Magalhães que, de tão vilipendiados noutros tempos, devem agora estar ao preço da chuva, ou da uva mijona. Louva-se, no entanto, o esforço de aliviar os armazéns de monos próximos do lixo.

O bom vendedor serve também para isso. Despachar o que não presta para incautos compradores. Só ainda não se conseguiu vender uns submarinos que foram adquiridos na candonga, com bónus por fora.

Se bem calha, o negócio ainda não se concretizou precisamente porque ainda ninguém se chegou à frente com o habitual bónus destes negócios. Há que dar tempo ao tempo. Não se vendem submarinos todos os dias.  

Estes negócios já de si são muito complicados. Mas, feitos no estrangeiro, à escala global e, muito importante, feitos porta a porta, têm muito que se lhe diga. Que o diga o nosso ministro Portas, que inventou estas tarefas.

Talvez seja o único ministro que está trabalhar bem. E no lugar certo. Mas, julgo eu, devia dar ao seu ministério o nome correto. Ministério das compras e vendas porta a porta. Cada um é para o que nasce.

Até para que outro se ocupasse dessa coisa da diplomacia que, para Portas, é coisa de jantaradas com fatiotas de abas de grilo. Onde apenas se consome. Essa pasta podia bem ser entregue a alguém com mais jeito.

Era uma boa maneira de começar a mexer num governo que já só mexe no campo dos negócios. O país precisa que seja todo ele posto a mexer. E as vendas, sobretudo as vendas porta a porta, já mexeram com Portugal.